Escravidão digital


            *José Renato Nalini

            A homogeneização do pensamento, controlado por redes sociais teleguiadas por IA – Inteligência Artificial, conduz a essa condição servil: a escravidão digital. É politicamente incorreto pensar de outra forma, ter ponto de vista não coincidente com o que deve predominar.

            A servidão digital gera fanatismo. Parece incompreensível que pessoas presumivelmente eruditas, com boa formação integral, em todos os níveis da educação formal, ajam como autômatos. Zumbis irados, que odeiam aquele que não se identifica com o que eles acham de tudo.

            Um brasileiro inconformado com tal situação do mundo, criou a “Ilha do Conhecimento”. É na Toscana, Itália, e o propósito é manter espaço em que as pessoas que pensam de forma diversa da maioria possam dialogar. Um espaço de divergência civilizada, polida, gentil e cordial.

            Espécie de alternativa à cruzada mundial movida pelas grandes empresas de mídia digital, que querem robotizar as pessoas, fazê-las pensar igual. Para, igualmente, produzir maior lucro para as big techs. Objetivo saudável de Marcelo Gleiser.

            Gleiser é considerado um cientista humanista, que procura conciliar ciência e espiritualidade. Escreveu “Mentes brilhantes não pensam igual” e usa imagem lúdica e singela. “As respostas para as grandes perguntas vêm de quatro pernas da cadeira existencial humana: a ciência, a filosofia, a espiritualidade e as artes. Se você não tem diálogo entre essas quatro dimensões, a cadeira cai”.

            Ele se preocupa com o advento da IA, que está a cuidar de tudo e a substituir o humano, por comodidade de quem não quer ter o trabalho de pensar. Perder a essência da humanidade é uma tragédia. E não é a IA que leva a isso. É a nossa incapacidade de assumir responsabilidades e de trabalhar com a emoção. “A coisa mais difícil é ter generosidade emocional. Você tem que se colocar no lugar do outro. Entender que esse outro, que pensa diferente de você, tem uma história de vida, uma narrativa que o levou a pensar dessa forma. Antes de se bater de cabeça, é importante lembrar que todo mundo quer ser amado, quer viver com dignidade, quer ser respeitado”.

            Vale a pena ler o livro e, se possível, frequentar a “Ilha do conhecimento”.

 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.  

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