Paulo Moura - 26/10/2026 11h27 | atualizado em 26/10/2026 12h17
Homem “faz o L” na frente da Bolsa de Valores, que sofreu forte queda nesta segunda Foto: EFE/ Isaac FontanaMedida foi adotada após forte queda do mercado em reação à vitória de Lula nas eleições presidenciais
Nesta segunda-feira (26), o chamado circuit breaker foi acionado na Bolsa brasileira pela 24ª vez na história, suspendendo temporariamente as negociações do Ibovespa em meio a uma forte queda do principal índice acionário do país após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O mecanismo de segurança, criado para conter movimentos bruscos do mercado financeiro, não era utilizado desde março de 2020, durante o início da pandemia de Covid-19.
Adotado pela primeira vez no Brasil em 1997, em meio aos desdobramentos da crise financeira asiática, o recurso suspende as operações quando o Ibovespa registra perdas acima de determinados limites. A interrupção busca reduzir a volatilidade, evitar decisões motivadas pelo pânico e permitir que investidores reavaliem suas posições.
COMO FUNCIONA A MEDIDA
As regras da B3, responsável pela Bolsa brasileira, estabelecem diferentes níveis de interrupção conforme a intensidade das quedas do Ibovespa. Quando o índice recua mais de 10% em relação ao fechamento anterior, as negociações são suspensas por 30 minutos. Após a retomada, se a queda ultrapassar 15%, ocorre uma nova paralisação, desta vez por uma hora.
O terceiro estágio é previsto para situações ainda mais extremas: quando a desvalorização supera 20%, a B3 pode suspender as operações por tempo indeterminado. Nesses casos, a bolsa informa oficialmente a duração da interrupção.
Embora seja utilizado principalmente em momentos de queda acentuada, mecanismos semelhantes também podem ser adotados em outros mercados para conter movimentos excepcionalmente intensos de valorização.
HISTÓRICO DE ACIONAMENTOS
Antes do episódio registrado após a reeleição de Lula, o circuit breaker havia sido acionado 23 vezes no Brasil. Desse total, 19 interrupções duraram 30 minutos e quatro se estenderam por uma hora. O terceiro estágio nunca foi utilizado na Bolsa brasileira.
A primeira sequência de acionamentos ocorreu em 1997, quando a crise asiática provocou turbulências nos mercados internacionais. Naquele ano, o mecanismo foi utilizado três vezes, entre 28 de outubro e 12 de novembro. Em 1998, a crise financeira russa levou a outras cinco interrupções, e o segundo estágio foi acionado pela primeira vez em 10 de setembro.
Em janeiro de 1999, a desvalorização do real e a adoção do regime de câmbio flutuante provocaram duas novas paralisações, nos dias 13 e 14 daquele mês.
A crise financeira global de 2008 também teve impacto significativo sobre a Bolsa brasileira. Entre setembro e outubro, a falência do banco norte-americano Lehman Brothers agravou a turbulência nos mercados e levou ao acionamento do mecanismo em seis ocasiões.
Outro episódio ocorreu em 18 de maio de 2017, durante o chamado “Joesley Day”. A divulgação de informações relacionadas à delação premiada do empresário Joesley Batista, controlador da JBS, envolvendo o então presidente Michel Temer, provocou forte reação dos investidores e interrompeu as negociações.
PANDEMIA REGISTROU SEIS EPISÓDIOS
O período mais intenso de utilização do circuit breaker no Brasil ocorreu em março de 2020, quando o mecanismo foi acionado seis vezes em um único mês, um recorde para a Bolsa nacional. Na ocasião, o avanço da pandemia de Covid-19 e a adoção de medidas de restrição à circulação ampliaram as incertezas sobre a economia mundial.
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