*José Renato Nalini
Enquanto a ganância (rima com
ignorância) retrocede na tutela ambiental, desprezando a ciência que admoesta a
humanidade há décadas, a China continua atenta e atuante no enfrentamento do
cataclismo climático.
Anuncia agora a meta de redução de
17% na intensidade das emissões de CO2 de 2026 a 2030, que – se não é o ideal –
é um passo adiante quando outros gigantes dão marcha-a-ré.
O Primeiro Ministro Li Qiang
assinala que o objetivo chinês é promover a transição verde e de baixo carbono
em todos os principais estores de atividade no imenso país com seu bilhão e
quinhentos mil habitantes.
Verdade que o ideal seria uma
redução de 23%, para atender ao Acordo de Paris. É que no último plano
quinquenal a meta não foi atingida. Em compensação, a China já alcançou outros
objetivos também estabelecidos para 20340, como ultrapassar o marco de 1.200
gigawatts de capacidade instalada em energia eólica e solar, o que atingiu seis
anos antes do previsto.
Enquanto isso, o Brasil continua a
insistir na errática exploração de petróleo na foz do Amazonas e recebe auto de
infração da ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis, por
falhas na operação da sonda ODN-2, que perfura o primeiro poço em águas profundas
naquela área sensível do maior rio do continente.
Em janeiro, o vazamento de fluido no
mar mostrou a temeridade do gesto inexplicável de um governo que já teve a
gestão de uma “promissora potência verde”, assistiu estarrecido ao rebaixamento
do País considerado “Pária Ambiental” e, em pleno ano de COP30, a primeira no
Brasil, deu ao mundo esse mau exemplo.
Em fevereiro, a Petrobrás já foi
multada em R$ 2,5 milhões pelo IBAMA, Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e
Recursos Naturais Renováveis, pela descarga de 18,44m3 de fluido de perfuração
de base não aquosa (mistura oleosa) no mar, oriunda do NS-42.
É inacreditável que multas meramente
simbólicas, pois não se pode calcular o prejuízo causado à fauna aquática, ao
ambiente e à saúde das pessoas, não desestimulem a estatal de militar nesse
ambiente turvo da carbonização, o que parece sinalizar que a humanidade
escolheu o ecocídio em lugar de melhor qualidade existencial.
*José
Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

Comentários
Postar um comentário