Alergia e intolerância alimentar na infância: especialistas explicam os sinais que merecem atenção dos pais
Reações podem afetar a pele, o sistema gastrointestinal e a respiração; especialistas orientam sobre diagnóstico correto para evitar complicações e restrições alimentares desnecessárias.
Coceira, manchas na pele, vômitos ou desconforto abdominal após uma refeição podem ser sinais de alergia alimentar, especialmente quando aparecem de forma recorrente após o consumo de determinados alimentos. A condição ocorre quando o sistema imunológico reage a proteínas alimentares e pode provocar manifestações de diferentes intensidades, desde sintomas leves até reações graves. Um estudo publicado em 2026, com dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019), estimou que 4,6% das crianças brasileiras menores de cinco anos tinham diagnóstico médico de alergia alimentar, segundo informações fornecidas pelos responsáveis. A alergia à proteína do leite de vaca foi a mais frequente, com prevalência de 2,1%. Os resultados reforçam a importância de reconhecer os sinais e buscar avaliação profissional, evitando restrições alimentares sem orientação especializada.
Além do leite, alimentos como ovo, trigo e soja estão entre os frequentemente associados às reações alérgicas na infância. Lembrando que amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar também podem desencadeá-las.
Segundo o Dr. Gustavo Pinato, médico e professor de Pediatria da Afya Ribeirão Preto, as manifestações variam conforme o tipo de reação. Nos quadros de início rápido, os sintomas costumam surgir minutos após a ingestão, podendo aparecer em até duas horas. “Na maioria das vezes, a alergia aparece primeiro na pele. São manchas vermelhas e altas que coçam muito, parecidas com picadas de inseto. Às vezes, os lábios ou os olhos incham. A criança também pode vomitar, reclamar de dor na barriga, tossir, espirrar ou ficar com chiado no peito”, explica.
Há também reações tardias, que podem afetar principalmente o sistema gastrointestinal e provocar vômitos recorrentes, diarreia, sangue ou muco nas fezes e dificuldade de ganho de peso. O especialista ressalta, porém, que nem todo desconforto infantil indica alergia. Para ajudar na investigação, os pais podem registrar os alimentos consumidos, as quantidades, o horário das refeições e o momento em que os sintomas aparecem, além de fotografar eventuais lesões.
Quando a reação pode ser grave?
Nos casos mais graves, a alergia alimentar pode provocar anafilaxia, uma reação sistêmica potencialmente fatal que exige atendimento médico imediato. Dificuldade para respirar, chiado no peito, rouquidão súbita, inchaço da língua ou da garganta, palidez intensa, fraqueza importante e desmaio são sinais de alerta. Vômitos repetidos acompanhados de prostração também podem indicar uma reação grave, mesmo sem manifestações na pele.
Em caso de suspeita de anafilaxia, é necessário acionar imediatamente o serviço de emergência. Se a criança tiver adrenalina autoinjetável previamente prescrita, ela deve ser utilizada conforme o plano de ação médico, sem atrasar a busca por atendimento. Mesmo que os sintomas melhorem inicialmente, a avaliação de emergência continua necessária. “ O antialérgico em gotas ou xarope não trata uma reação grave. Ele alivia sintomas leves, só isso”, alerta o pediatra.
Alergia alimentar é diferente de intolerância
Alergia e intolerância alimentar são condições distintas e exigem cuidados específicos. Enquanto a alergia envolve uma reação do sistema imunológico, a intolerância à lactose está relacionada à dificuldade de digerir o açúcar presente no leite. “A intolerância à lactose, que é o açúcar do leite, causa gases, barriga estufada e diarreia. É incômoda, mas não provoca uma reação grave. A alergia ao leite é outra história, pois o problema está na proteína, e o cuidado precisa ser diferente”, explica Gustavo Pinato.
Diego Righi, professor de Nutrição da Afya Centro Universitário Itaperuna, acrescenta que a intolerância à lactose também pode provocar cólicas e distensão abdominal. A diferenciação é fundamental para orientar a alimentação. Uma investigação inadequada pode deixar uma alergia sem o acompanhamento necessário ou levar à exclusão desnecessária de alimentos importantes para a nutrição infantil.
Diagnóstico exige investigação individualizada
A identificação de uma alergia alimentar não deve se basear apenas nos sintomas, nem levar automaticamente à retirada do alimento suspeito da dieta. A avaliação considera quais alimentos foram consumidos, a quantidade ingerida, o intervalo até o aparecimento das manifestações e a recorrência dos episódios. “O diagnóstico de alergia alimentar começa principalmente pela história clínica direcionada. Testes cutâneos e dosagem de IgE específica podem ser solicitados quando apropriados, mas precisam ser interpretados junto com essa história. Um teste positivo isoladamente pode indicar apenas sensibilização, e não necessariamente uma alergia clínica”, explica Diego.
Quando necessário, exames complementares e o teste de provocação oral podem ajudar a esclarecer o diagnóstico. Esse procedimento deve ser realizado sob supervisão de profissionais habilitados, em ambiente preparado para atender possíveis reações. O nutricionista também alerta que os painéis comerciais de intolerâncias alimentares baseados em IgG não são recomendados para diagnosticar alergias ou intolerâncias. O uso desses exames pode levar a restrições alimentares sem justificativa clínica.
Exclusão de alimentos pode prejudicar a nutrição infantil
Retirar alimentos sem orientação profissional pode comprometer a ingestão de nutrientes essenciais, especialmente durante a infância, fase marcada pelo crescimento e desenvolvimento. “Retirar indiscriminadamente leite, ovos, trigo, soja ou vários alimentos ao mesmo tempo pode diminuir a oferta de energia, proteínas e micronutrientes e tornar a alimentação progressivamente mais restrita”, alerta Diego. O especialista explica que a exclusão do leite e de seus derivados, por exemplo, exige atenção à ingestão de proteínas, cálcio e vitamina D. Dependendo dos alimentos eliminados, também podem ocorrer inadequações de ferro, vitaminas do complexo B, fibras e outros nutrientes.
“Quando a dieta de exclusão é necessária, deve ser acompanhada de planejamento nutricional, substituições adequadas e monitoramento do crescimento. Conforme o caso, pediatra, alergista e nutricionista podem atuar em conjunto para preservar a segurança e a qualidade da alimentação ", afirma .
Algumas alergias podem desaparecer com o tempo
Algumas alergias alimentares da infância podem evoluir com a aquisição de tolerância. Essa possibilidade depende de fatores como o alimento envolvido, o mecanismo da alergia e a evolução clínica da criança. “É o caso das alergias ao leite, ao ovo, à soja e ao trigo. Por isso, a criança precisa ser reavaliada de tempos em tempos, para que o alimento volte ao prato assim que for seguro”, afirma Dr. Gustavo. De acordo com o especialista, a reavaliação permite verificar se a alergia persiste e se a reintrodução do alimento pode ser considerada. Essa decisão deve ser tomada com orientação profissional, especialmente quando há histórico de reações importantes. A família não deve testar a reintrodução por conta própria.
Sobre a Afya
A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 38 Instituições de Ensino Superior, 33 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. São 3.753 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e 3.643 vagas de Medicina em operação, com mais de 24 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 - Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: www.afya.com.br e ir.afya.com.br.
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