*José Renato Nalini
É o que se exige para o saneamento
básico em todo o Brasil, mas, principalmente, para as grandes cidades.
Não é próprio a um país civilizado
possuir milhões de seres humanos desprovidos de tratamento de esgoto. O
lançamento in natura em córregos e rios chega aos reservatórios que abastecem a
população. Hoje, ela está ingerindo água com coliformes fecais, cocaína,
resíduos fármaco e microplástico.
Prolífico em legislação, o Brasil
possui um Marco Regulatório do Saneamento Básico. Mas tudo ainda é muito incipiente
e naquele ritmo brasileiro em que a burocracia fala mais alto do que a lei. O
projeto de universalização do saneamento básico prevê o ano de 2033 para
atendimento de todas as necessidades brasileiras. Para São Paulo, o prazo foi
encurtado após privatização da Sabesp, que promete universalizar o tratamento
de esgoto até 2029. Hoje, o Brasil também dispõe de uma Associação Brasileira
das Empresas de Saneamento Básico, Abcon. Sua presidente, Christianne Dias, foi
diretora da ANA – Agência Nacional de Águas. Portanto, deve conhecer da
matéria.
Ela vê como vantajoso o marco
regulatório, por atrair investimentos da iniciativa privada. Os contratos
feitos com empresas particulares têm metas claras, prazos definidos e
compromissos consistentes de investimento. Ela considera que São Paulo é um
caso específico diante da alta concentração de poluição, que torna mais
complexa e custosa a operação de tratamento. E considera problema que a
regulamentação do tema seja local, quer dizer, municipal.
Essa pode ser vantagem se houver
cidadania qualificada, consciente e disposta a participar da gestão da coisa
pública. A comunidade tem condições de acompanhar os projetos de intensificação
do saneamento, eis que 2029 é logo ali. É óbvio que participar dá trabalho.
Significa prestigiar os Comitês, participar de audiências públicas,
reivindicar, fiscalizar, controlar, acompanhar o ritmo das obras.
Não é fácil, mas é só assim que os
munícipes terão a garantia de que a privatização foi medida satisfatória e que
solucionará o problema hoje tão grave de fornecer água contaminada à população,
principalmente para aquela que não tem condições de se abastecer com água
mineral ou de prover os seus próprios equipamentos de purificação do líquido
imprescindível. Vamos acordar e fazer com que essa urgência urgentíssima
resulte em efetivos benefícios para a população.
*José
Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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