Setembro Verde reforça a importância da doação de órgãos e tecidos

Dr. Mair e Priscila, Dr. Mair Pedro de Souza e  Marília Souza Leite de Mattos.

Falar sobre doação de órgãos e tecidos é também falar sobre novas oportunidades de vida. Durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a importância da doação, o Hospital Amaral Carvalho (HAC) reforça a necessidade de ampliar o diálogo sobre o tema e esclarecer dúvidas que ainda cercam esse gesto de solidariedade. A mobilização ganha destaque especial em 27 de setembro, Dia Nacional da Doação de Órgãos.

A maior incidência de doação de órgãos é pós-morte, mas há doações que podem ser realizadas em vida, como a de um dos rins, parte do fígado, parte dos pulmões ou parte da medula óssea. Qualquer indivíduo maior de idade pode, juridicamente, doar esses órgãos em vida, desde que seja de sua vontade.

Já a doação de órgãos e tecidos após a morte depende da autorização da família. Por isso, uma das principais formas de contribuir para que o desejo de doar seja respeitado é conversar com familiares e deixar clara essa vontade. A informação e o diálogo são fundamentais para que, diante de uma eventual doação, a decisão possa ser autorizada pela família.


Uma decisão que pode transformar histórias

Para Marília Souza Leite de Mattos, supervisora de enfermagem das áreas cirúrgicas e Transplante Hepático do HAC, a campanha é uma oportunidade de levar informação à população e estimular conversas que podem fazer a diferença. Inaugurado em maio de 2025, o Serviço de Transplante de Fígado ampliou a atuação da Instituição na área de transplantes e passou a oferecer esse tratamento aos pacientes com indicação para o procedimento.

“A campanha Setembro Verde tem um papel fundamental na conscientização da população sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. Ela amplia o diálogo sobre um tema que pode salvar muitas vidas e ajuda a esclarecer dúvidas e combater mitos que ainda existem em torno da doação”, destaca.

Segundo Marília Mattos, uma única doação pode ajudar diferentes pacientes. “Uma única pessoa doadora pode beneficiar várias outras e oferecer uma nova oportunidade de vida para pacientes que aguardam um transplante”, afirma.


30 anos de histórias de recomeço

A trajetória do HAC na área de transplantes também é marcada pelo Serviço de Transplante de Medula Óssea (TMO), que completa 30 anos em 2026. Criado em 1996, o serviço já realizou mais de 4.800 transplantes.

Mais do que os números, as três décadas de atuação são representadas por histórias como a de Priscila Encinas, de 34 anos, de São José do Rio Preto (SP). Há 15 anos, ela realizou um transplante de medula óssea no HAC. Ao longo da vida, enfrentou outros desafios de saúde e precisou passar também por transplantes de pulmão e rim, realizados em São Paulo.

Hoje, Priscila cursa faculdade de Odontologia e afirma que a experiência transformou sua maneira de enxergar a vida. “Tudo o que eu vivi mudou a minha forma de enxergar a vida. Hoje, dou valor às pequenas coisas: respirar sem dificuldade, acordar bem, tomar um banho em pé. São coisas simples, mas que fazem toda a diferença para quem já enfrentou tantas batalhas.”

Para o médico hematologista do Serviço de TMO, Mair Pedro de Souza, a história de Priscila evidencia o quanto a generosidade dos doadores e o endosso dos familiares são indispensáveis para um desfecho tão favorável, considerando a complexidade de um transplante de órgãos e tecidos.

O hematologista acompanhou parte da trajetória de Priscila e se recorda de sua determinação. “Lembro que ela viajava mais de 200 quilômetros usando oxigênio para as consultas de acompanhamento e chegava aqui sempre com um sorriso no rosto. Era uma paciente extremamente determinada”, conta.


Como ser um doador

Neste Setembro Verde, o HAC reforça a importância de conversar com a família sobre a decisão de ser doador de órgãos e tecidos. “Falar sobre a doação é um gesto de amor, empatia e esperança. Quando compartilhamos essa decisão com quem amamos, aumentamos as chances de transformar vidas e deixar um legado que vai muito além de nós mesmos”, afirma Marília.

Já quem deseja ser doador de medula óssea deve se cadastrar no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME). O cadastro pode ser realizado em hemocentros e hemonúcleos, como o Hemonúcleo Regional de Jaú. O voluntário deve apresentar documento de identificação com foto, preencher o cadastro e o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e realizar uma coleta de sangue para o exame de histocompatibilidade (HLA). Os dados são incluídos no REDOME e, caso seja identificada possível compatibilidade com um paciente, o doador é contatado para a realização de novos exames e confirmação da doação.

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