Ninguém deve estar acima da lei, diz arcebispo de Brasília em debate entre cardeais sobre eleições no Brasil
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| Os cardeais Paulo Cezar, Raymundo Damasceno, Jaime Spengler e Orani Tempesta ontem (2), no especial “Igreja e Política — Diálogo dos Cardeais do Brasil” da TV Rede Vida, em Brasília (DF). / Crédito: Captura de vídeo. |
3 de set de 2026 às 14:41
“Se alguém verdadeiramente cometeu ilícito, se alguém se envolveu com corrupção, é preciso que sofra as consequências da lei. Ninguém deve estar acima da lei na vida de um país,” disse o arcebispo de Brasília, cardeal Paulo Cezar Costa, ontem (2), sobre as denúncias envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O cardeal respondia uma pergunta feita a ele no programa especial Igreja e Política — Diálogo dos Cardeais do Brasil, exibido pela TV Rede Vida, com os oito cardeais do Brasil.
Além do cardeal Paulo Cezar, participaram do programa o arcebispo de São Paulo (SP), cardeal Odilo Pedro Scherer; o arcebispo do Rio de Janeiro (RJ), cardeal Orani João Tempesta; o arcebispo de Salvador (BA), cardeal Sergio da Rocha; o arcebispo de Porto Alegre (RS) cardeal Jaime Spengler, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); o arcebispo emérito de Brasília, cardeal João Braz de Aviz; e o arcebispo emérito de Aparecida (SP), cardeal Raymundo Damasceno Assis. O arcebispo de Manaus (AM), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, está em Roma, mas enviou um vídeo pré-gravado.
“A corrupção não pode estar presente em nenhum dos Poderes da República”, disse dom Paulo Cezar, agora que as denúncias atingem um dos membros da mais alta corte de justiça do país. “A corrupção é sempre uma deturpação do bem comum”, pois “coloca o bem pessoal no lugar do bem comum”
Segundo o cardeal, “a população não pode perder a crença na democracia, não pode perder a crença do bem” porque “o ser humano foi criado para o bem” e “ter sempre o ideal alto”.
“O ideal alto é a política enquanto bem comum e combater as anomalias”, disse. “A corrupção é uma dessas grandes anomalias".
Corrupção e escolha dos candidatos
Ao tratar da participação dos católicos na política, o arcebispo de Porto Alegre, cardeal Jaime Spengler, disse que os batizados não podem permanecer indiferentes diante de problemas como corrupção, abuso de poder, desigualdade, compra de votos e desinformação.
“Como batizados, nós temos como vocação primordial ser sal da terra, luz do mundo, fermento de transformação, fermento de transformação para um mundo melhor”, disse o cardeal Spengler. “Precisamos sim, nos sentir tocados pela pelo engajamento político”.
Ele também destacou que “um batizado, uma batizada, um seguidor, uma seguidora de Jesus Cristo não pode ficar indiferente diante da desigualdade social”.
Dom Jaime também criticou a compra de votos e a disseminação de notícias falsas.
“O que dizer da compra de votos, que infelizmente em alguns lugares do interior ainda é uma realidade. O batizado não pode se deixar levar por esta situação”, disse o arcebispo. “E o que dizer de uma coisa que está muito presente hoje entre nós nas redes sociais, a disseminação de mentiras, de fake news que destrói às vezes a dignidade, a honra das pessoas e de uma forma assim, gritante”.
Ele acrescentou que “diante da questão do princípio da lei, da ficha limpa, nós não podemos ignorar a necessidade de avaliar a dignidade, a honra também de quem se dispõe ao serviço público”.
O arcebispo emérito de Aparecida (SP), cardeal Raymundo Damasceno, recomendou que o eleitor conheça a trajetória dos candidatos antes de votar.
Para ele, o eleitor deve evitar “qualquer candidato que tenha alguma denúncia de corrupção na justiça, já antes de eleger.”
O eleitor “deve ver isso: Quem está com alguma denúncia de corrupção” ou “algum candidato que realmente no seu passado é marcado pela corrupção, pela malversação dos recursos públicos, evidentemente que não deve votar neste candidato. Creio que isso é fundamental, o nosso testemunho realmente do político na sociedade", pontuou.
Democracia exige instituições que funcionem
A defesa do funcionamento das instituições democráticas apareceu também nas falas do arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Pedro Scherer. Para ele, a democracia precisa ser preservada e aperfeiçoada com a participação dos cidadãos.
“A democracia é um organismo vivo, por isso ela pode evoluir para mal ou para bem. Por isso, se requer vigilância para que a democracia não evolua para pior, mas pelo contrário que se mantenha bem e evolua para melhor. Ela sempre pode melhorar”, disse.
Dom Odilo destacou a importância da separação e da autonomia entre Executivo, Legislativo e Judiciário. “Os três poderes devem ter autonomia para funcionarem. Isso não significa que não devem dialogar, é claro que sim. Porém, um não deve estar sujeito ao outro, nem deve estar se sobrepondo ao outro”.
O cardeal também ressaltou a responsabilidade da sociedade no acompanhamento dos poderes e mencionou o papel da imprensa livre.
“A sociedade faça o controle dos poderes. E ali é importante as organizações de base da vida social, a imprensa livre, as instituições da sociedade. Todas podem e devem contribuir para manter sadia a democracia”.
Defesa da vida e dignidade humana
Ao apresentar os critérios para a escolha dos candidatos, dom Paulo colocou entre os pontos a serem considerados o compromisso com a defesa da vida e destacou que “votar bem implica escolher bem os candidatos, olhar a história do candidato”.
“Hoje isso é muito fácil, né, através das mídias sociais, você pode você pode consultar, você pode ver, você pode você tem como saber alguma coisa sobre o candidato, ver as propostas do candidato, ver o partido que ele tá afiliado, ver o que que ele pensa do bem comum” e “vê o seu compromisso com a vida, desde a sua concepção até a sua morte natural”, disse

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