Redução das vendas para a China aumenta a disponibilidade de carne no mercado
brasileiro; cortes como acém, alcatra e coxão mole registraram queda nos supermercados
São José do Rio Preto, setembro de 2026 – A desaceleração das exportações de carne
bovina já começa a se refletir no bolso do consumidor brasileiro. Com menos carne
saindo para o exterior, a oferta no mercado interno aumentou, e os preços de diferentes
cortes recuaram nos supermercados paulistas em julho. É o que aponta o Índice de
Preços de Supermercados (IPS), elaborado mensalmente pela APAS – Associação
Paulista de Supermercados em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas
Econômicas (FIPE).
Entre os cortes analisados no mês de julho, o acém teve a maior queda, de -3,90%,
seguido por alcatra (-2,77%), coxão mole (-2,45%), contrafilé (-1,76%), patinho (-1,39%) e
filé mignon (-1,30%).
Por que a carne ficou mais barata
A explicação está no comércio exterior. Depois de um primeiro semestre de recordes
seguidos, as exportações brasileiras de carne bovina perderam ritmo em julho: segundo a
Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as vendas externas somaram US$ 1,4 bilhão no
mês, queda de 21% em relação a junho.
A principal responsável pela retração foi a redução das vendas para a China. No início de
julho, o Brasil atingiu a cota anual de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina
estabelecida pelo governo chinês para importação sem tarifa extra. A partir desse limite,
todo o volume excedente passou a pagar uma tarifa adicional de 55% para entrar no país,
o que tornou as exportações para o mercado chinês menos vantajosas.
Suína também acompanha a queda
O movimento de preços mais baixos não é exclusivo da carne bovina. No acumulado do
ano (janeiro a julho de 2026), a carne suína já registra recuo de -8,11%, puxado
principalmente por dois cortes bastante presentes na mesa do brasileiro: o pernil com
osso (-13,52%) e o lombo com osso (-10,16%).
"O cenário de julho mostra como o mercado externo e o interno estão conectados.
Quando a exportação desacelera, sobra mais carne por aqui, e isso se traduz em preços
mais acessíveis para quem compra no supermercado. É um respiro importante para o
bolso do consumidor brasileiro, especialmente em cortes que fazem parte do dia a dia,
como o acém e a alcatra", afirma Rogério Antunes, diretora regional da APAS em São
José do Rio Preto.
Sobre a APAS – Com 55 anos de atuação, a APAS - Associação Paulista de
Supermercados representa setor supermercadista no Estado de São Paulo e busca
integrar toda a cadeia de abastecimento com a sociedade. A entidade possui 3 distritais
na capital paulista e 13 regionais distribuídas estrategicamente. A APAS representa mais
de 27 mil estabelecimentos no Estado de São Paulo, responsáveis por
30% do faturamento nacional do setor. Em 2025, o setor supermercadista
paulista faturou R$ 350 bilhões, registrando crescimento de 3,7% em
relação ao ano anterior e representando 8,7% do PIB estadual. Atualmente, os
supermercados empregam mais de 700 mil pessoas no estado, com potencial de
expansão de mais 36 mil vagas em diferentes funções.
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