*José Renato Nalini
As eleições de 2026 deveriam servir
para que os brasileiros fizessem um real diagnóstico do Brasil. As nossas
eleições lembram o FlaFlu: alguém contra outrem. Vota-se “contra” alguém e não
a favor daquele que acaba por merecer o voto.
Bastaria fazer uma comparação do
Brasil com outros países que deram certo para que, depois de nos
entristecermos, acabássemos por adquirir real vontade de mudar o panorama e
fizéssemos a melhor escolha.
Veja-se a Índia, que tinha uma
economia inferior à brasileira em 2010. Desde então, o Brasil patina, a
economia estagnou e a Índia viu um aumento de 150%. Tem hoje uma economia que é
duas vezes a nossa.
Se em 1994 a Índia exportava
algodão, chá e arroz, hoje exporta equipamentos industriais, medicamentos e
veículos. Mas o mais importante: exporta 274 bilhões de dólares por ano em
eletrônicos e serviços tecnológicos. Enquanto isso, o Brasil exportava em 1994
café, soja, açúcar e minério de ferro. E continua a exportar a mesma coisa.
A exportação tecnológica é de 8
bilhões de dólares anuais, e isso ainda por causa da Embraer. Explica-se: a
Índia forma 1,3 milhão de engenheiros por ano, 91 para cada 100 mil habitantes.
O Brasil não chega a 47 e a cada ano diminuem as vocações para a engenharia.
Para compensar, temos mais faculdades de direito do que a soma de todas as
outras distribuídas por todo o planeta.
Não dá certo. Multiplicam-se as
carreiras jurídicas, as instituições estatais titularizadas por bacharéis em
direito, quando o que de fato falta é tecnologia mesmo, a física, a química, a
biologia, a botânica, a ecologia, tudo aquilo que vai salvar o mundo da
catástrofe. Não o cipoal normativo, doutrinário e jurisprudencial que parece
apenas penalizar os que necessitam do sempre crescente equipamento estatal
encarregado de solucionar conflitos. O Brasil não soluciona: ele
institucionaliza. Graças a uma estrutura surreal de quatro instâncias, com um
sistema recursal caótico.
Enquanto o Congresso continuar a
discutir emendas mil e os Fundos Partidário e Eleitoral que só atendem a
interesses exclusivos e egoísticos dos próprios parlamentares, nenhuma chance
de melhor esse escore. Por enquanto, é comparar e se envergonhar.
*José
Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

Comentários
Postar um comentário