MASP apresenta coletiva internacional Histórias Latino-Americanas


Em cinco andares do edifício Pietro, a mostra reúne obras de 148 artistas, incluindo trabalhos inéditos, para investigar como a ideia de América Latina foi construída e é disputada até hoje

OBRAS


Adriana Varejão (Rio de Janeiro, Brasil [Brazil], 1964)
Quadro ferido [Wounded Painting], 1992
Óleo sobre tela [Oil on canvas], 170 x 140,5 cm
Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Doação da artista [Gift of the artist], 2022
MASP.11366
Foto [Photo] Eduardo Ortega


Autoria desconhecida (escola Cusquenha) [Unknown Authorship 
(Cusco School)] (Alto Peru, Bolívia, século 18 [18th century])
Virgem de Copacabana [Virgin of Copacabana], 1730-50
Óleo sobre tela [Oil on canvas], 63 x 46 cm
Acervo [Collection] Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Doação [Gift] Lais H. Zogbi Porto e Telmo G. Porto, 2008
MASP.01511
Foto [Photo] João Musa

                                            Antonio Caro (Bogotá, Colômbia, 1950—2021)
                                                                        Colombia, 1980
                                  Esmalte sobre placa de metal [Enamel on metal plate], 56 × 80 × 3 cm
                        Museo de Arte Moderno de Bogotá Antonio Caro, cortesia [courtesy] Casas Riegner


Miguel Covarrubias (Cidade do México, México, 1904 - 1957)
Paisaje exuberante o Jungla [Paisagem exuberante ou selva] [Exuberant Landscape or Jungle], 1935
Guache e aquarela sobre papel [Gouache and watercolor on paper], 50 × 35 cm
Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires, doação inicial [initial gift], 2001
Foto [Photo] Oscar Balducci


Manuel Chavajay (Lima, Peru, 1983)
Ch’umil kaj / estrellas en la Via Láctea [Ch'umil kaj / estrelas na Via Láctea], 2024
Cerâmica, acrílica e tinta spray [Ceramic, acrylic and spray], 49 × 400 × 40 cm
Coleção do artista, cortesia Galeria Pedro Cera, Lisboa, Madri [Collection of the artist, courtesy Galeria Pedro Cera, Lisbon, Madrid]Acesse aqui o press kit completo com imagens

 

4 de setembro de 2026 a 31 de janeiro de 2027
 

O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand inaugura, no dia 4 de setembro, a coletiva internacional Histórias latino-americanas. Ocupando cinco galerias expositivas do Edifício Pietro Maria Bardi, a exposição reúne 187 trabalhos de 148 artistas provenientes de 20 países. A mostra analisa como colonização, migração, movimentos de resistência e projetos de nação contribuíram para a criação de diferentes narrativas sobre a América Latina.
 

Com curadoria de Amanda Carneiro, curadora, MASP, e Julieta González, curadora-adjunta, MASP, obras do período pré-colonial ao contemporâneo dialogam a partir de problemas compartilhados, como a colonização, o extrativismo, os projetos de progresso, as formas de organização coletiva, as migrações, as diásporas e as aspirações de futuro. Pinturas, documentos, mapas, esculturas, fotografias, instalações, têxteis e vídeos revelam o uso de imaginários e símbolos para inventar, governar e disputar a região ao longo do tempo.

 

“A América Latina está interligada por múltiplos processos históricos, como a invasão colonial, o genocídio de populações, a herança do colonialismo europeu, o imperialismo estadunidense. Também se conecta por meio de formas coletivas de transformar a adversidade em criação, pela produção e pelo consumo de telenovelas, por festividades massivas e ritmos complexos que respondem a muitos intercâmbios. A região é uma zona de conflito e criação. A exposição não pretende encerrar a discussão, nem oferecer uma narrativa total sobre o continente. Ao contrário, seu gesto é abrir a percepção sobre regimes visuais, temporalidades e questões”, diz Amanda Carneiro.

 

A exposição está organizada em cinco núcleos: O mundo ao revés, Retórica do progresso, Sociedades americanas, Estamos em salsa e A queda do céu.

 

O mundo ao revés parte do conceito andino pachakuti, que nomeia uma inversão radical da ordem do mundo. Para inúmeros povos indígenas, a invasão europeia das Américas produziu uma ruptura dessa natureza, alterando relações com o território, o tempo e o conhecimento. O conjunto de obras reflete como a colonização inventou um mito de paraíso tropical repleto de riquezas naturais que estaria à disposição para ser explorado pela Europa, e a versão latino-americana do Barroco.

 

Retórica do progresso examina como projetos de urbanização e industrialização moldaram uma narrativa latino-americana do século 20, revelando promessas e contradições. A cidade, a fábrica, a rodovia, a arquitetura e o planejamento urbano despontam como uma vitrine de uma modernidade anunciada, mas também como instrumentos de controle, desigualdade e devastação ambiental. A expografia permite que uma das janelas do Edifício Pietro Maria Bardi revele a vista da Avenida Paulista, estabelecendo um diálogo entre a capital paulista e a exposição. Nesse núcleo, a obra comissionada Nuremberg Map of Tenochtitlan, da artista mexicana Mariana Castillo Deball, ocupa parte do piso do espaço expositivo. A instalação reproduz em grande escala um dos primeiros mapas europeus feitos de Tenochtitlan — então capital do Império Asteca e atual Cidade do México. Deball evidencia como a cartografia colaborou para classificar, administrar e dominar o território indígena. A mostra apresenta ainda outras obras comissionadas de JAMAC (Jardim Miriam Arte Clube), Marcela Cantuária, Marcelo Cidade, Manuel Chavajay, Maurício Lupini e Podeserdesligado.

 

Em Sociedades americanas, a exposição olha para formas de organização comunitárias, como quilombos, cooperativas, movimentos camponeses e pedagogias populares, que pensam a construção de alternativas concretas às promessas não cumpridas do desenvolvimento.

 

Estamos em salsa faz referência à canção homônima lançada em 1978 pelo músico nova-iorquino de origem porto-riquenha Wayne Gorbea. Formada por matrizes afro-caribenhas, o estilo musical surge do encontro entre migrantes, gravadoras, bailes e comunidades latinas, consolidando-se em Nova York. Obras como Inserções em circuitos ideológicos: Projeto Coca-Cola (1970), de Cildo Meireles, e Colombia (1980), de Antonio Caro, abordam as relações entre dependência econômica e repertório cultural por meio de produtos como Coca-Cola, petróleo, banana, dendê, milho e taco. Meireles grava mensagens políticas sobre garrafas retornáveis e as devolve às prateleiras, infiltrando sua crítica na logística do varejo. Caro, por sua vez, subverte a logomarca do refrigerante, forçando a identidade de seu país a se moldar aos signos de uma mercadoria global.

 

O último núcleo, A queda do céu, é nomeado em referência ao livro escrito por Davi Kopenawa e Bruce Albert. No livro, publicado em 2010, os autores revelam como a destruição da floresta amazônica pela invasão garimpeira desencadeia uma catástrofe que ultrapassa a noção de crise ambiental e nomeia o colapso concreto das relações que mantêm a vida de pé. O núcleo articula o sonho e o mito, compreendidos como formas de conhecimento alternativas às utopias de progresso. A coexistência e a sobreposição de territórios e linhas do tempo também orientaram a expografia da mostra. O público pode seguir a sequência proposta para percorrer a exposição ou pode estabelecer seus próprios caminhos, criando associações e leituras diversas. A pintura Metaesquemas (1956‒1958), de Hélio Oiticica, foi uma referência para painéis, blocos de cores e cortes diagonais que evitam uma separação rígida entre as seções, favorecendo a continuidade e o diálogo entre diferentes trabalhos.
 

Histórias latino-americanas é o tema do ciclo curatorial de 2026. A programação do ano também inclui as mostras de Jesús Soto, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Carolina Caycedo, Sol Calero, Damián Ortega, Colectivo Acciones de Arte, Claudia Alarcón & Silät, La Chola Poblete, Santiago Yahuarcani e Sandra Gamarra Heshiki.
 

A mostra faz parte de uma série de projetos em torno da noção plural de “Histórias”, palavra que engloba ficção e não ficção, relatos pessoais e políticos, narrativas privadas e públicas, possuindo um caráter especulativo, plural e polifônico. Essas histórias têm uma qualidade processual aberta, em oposição ao caráter mais monolítico e definitivo das narrativas históricas tradicionais. Nesse sentido, entre os programas anuais e as exposições anteriores, o MASP organizou Histórias da Sexualidade (2017), Histórias Afro-Atlânticas (2018), Histórias das Mulheres, Histórias Feministas (2019), Histórias da Dança (2020), Histórias Brasileiras (2021–22), Histórias Indígenas (2023), Histórias LGBTQIA+ (2024) e Histórias da Ecologia (2025).

 

ACESSIBILIDADE

Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, mediante solicitação pelo e-mail acessibilidade@masp.org.br, além de textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras. Todos os materiais estão disponíveis no site e canal do YouTube do museu e podem ser utilizados por pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessadas em geral, em visitas espontâneas ou acompanhadas pela equipe MASP.
 

CATÁLOGO

Será publicado um catálogo bilíngue, em inglês e português, reunindo imagens e textos sobre a exposição. O livro tem organização editorial e textos de Adriano Pedrosa, Amanda Carneiro e Julieta González.
 

LOJA MASP

Em diálogo com a exposição, a Loja MASP apresenta produtos especiais, que incluem cadernos, blocos, postais, ímãs e marca-páginas.

 

REALIZAÇÃO

Histórias latino-americanas é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Tem patrocínio master de Nubank e patrocínio Vivo.
 

SERVIÇO

Histórias latino-americanas

Curadoria: Amanda Carneiro, curadora, MASP, e Julieta González, curadora-adjunta, MASP,

com assistência de Teo Teotonio, assistente curatorial, MASP

 

4.9.2026 — 31.1.2027

Edifício Pietro Maria Bardi, 2º ao 6º andar

 

MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h) com patrocínio Nubank; quarta

e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das

18h às 20h30 com patrocínio B3); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h);

fechado às segundas.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

Ingressos: R$ 85 (entrada); R$ 42 (meia-entrada)

Clientes Nubank Ultravioleta têm 50% de desconto no valor do ingresso inteiro e nos

produtos selecionados da Loja MASP; clientes Nubank têm 25% de desconto.
 

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