Um veneno chamado plástico



            *José Renato Nalini

            O Brasil despeja 1,3 milhões de toneladas de resíduos plásticos nos mares, todos os anos. Conforme diz João Lara Mesquita, o idealista autor do “Mar Sem Fim”, o litoral tupiniquim parece um favelão. Todas as restingas e mangues destruídas pela especulação imobiliária.

            O Brasil é o oitavo poluidor de plásticos do mundo e o primeiro da América Latina. 8% de todo o plástico que chega aos oceanos têm origem no Brasil. 85% dos animais marinhos que ingeriram plástico estão ameaçados de extinção.

            Os dados são fornecidos pela organização Oceana, exclusivamente dedicada à conservação dos mares. Tem lutado para a adoção e cumprimento de políticas públicas que impeçam a sobrepesca, a destruição de habitats, a poluição por petróleo e plástico, a perda de espécies ameaçadas, como tartarugas, baleias e tubarões.

            Se o oceano se mantiver saudável, ele pode fornecer refeição nutritiva de pescados a um bilhão de pessoas, todos os dias e para sempre. A Oceana publicou “Fragmentos da Destruição”, os impactos do plástico na biodiversidade marinha brasileira. Por essa edição fica-se sabendo que 200 espécies marinhas já foram registradas com ingestão de plástico no Brasil. 9 das 10 espécies de peixes comerciais mais capturadas para consumo humano já ingeriram plástico. Fragmentos de sacolas e embalagens flexíveis são os itens mais ingeridos por tartarugas. 77% dos estômagos analisados, de aves, tartarugas e mamíferos tinham plástico.

            Todos somos responsáveis. Pense nisso quando escolher o plástico em lugar da sacola de papel ou aquela de lona, que se tinha em casa antigamente. E seja consciente ao não jogar plástico na praia, mas também na rua, pois ele chega aos bueiros, que vão para os córregos, rios e atingem os mares. A questão do plástico é o segundo problema em ordem de gravidade que a humanidade enfrenta. O primeiro é o próprio aquecimento global, gerado pela excessiva emissão dos gases causadores do efeito-estufa. Ou seja: nós, sempre nós e só nós é que podemos salvar a Terra ou acabar com ela.

 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.


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