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A ponte atravessa o Rio Pirapitinga e fica inteiramente dentro do território de Cumari
A Ponte do Batalhão fica no município de Cumari, em Goiás | Foto: Reprodução

O cenário lembra os filmes de faroeste: uma extensa linha férrea avança pelo Cerrado, vence um vale profundo e desaparece entre a vegetação e a imensidão da paisagem. O lugar fica no Sudeste goiano, mais precisamente no município de Cumari, a cerca de 280 quilômetros de Goiânia. a

Imagens de satélite mostram a ferrovia (ao centro, cercada por mata) e sua curvatura, considera uma das maiores da América Latina | Foto: GoogleEart

É ali que está a Ponte do Batalhão, estrutura ferroviária de 782,82 metros construída pelo Exército Brasileiro durante a implantação de um novo traçado entre Araguari, em Minas Gerais, e Pires do Rio, em Goiás. A ponte atravessa o Rio Pirapitinga e está inteiramente localizada no território de Cumari e é tida como uma das maiores pontes ferroviárias curvas da América Latina.

Apoiada sobre sucessivos pilares de concreto e marcada por uma curva acentuada, a obra continua recebendo trens de carga quase cinco décadas depois de sua conclusão. Vista de cima, a linha parece desenhada sobre o Cerrado, acompanhando as curvas do relevo antes de desaparecer entre a mata.

Pilastras e a ponte curva se destacam em meio a paisagem do cerrado | Foto: Reprodução

A estrutura se destaca tanto pela extensão quanto pela forma como atravessa o vale. Registros da memória ferroviária também a apontam como a maior ponte construída pelo Batalhão Ferroviário Mauá.

Novo traçado retirou os trilhos do centro de Cumari

A Ponte do Batalhão foi construída durante a implantação da variante Araguari–Pires do Rio, projeto executado principalmente ao longo da década de 1970. A obra não representou simplesmente a substituição dos trens de passageiros pelos trens de carga, mas uma mudança no traçado da ferrovia.

Vale e a ponte vistas de baixo | Foto: Vitor Alves

Antes da variante, os trilhos atravessavam o núcleo urbano de Cumari. A construção da nova linha desviou a circulação para fora da cidade, reduziu as interferências urbanas e criou um caminho mais adequado às composições ferroviárias maiores e mais pesadas.

A participação do Exército na obra foi determinada pelo Decreto federal nº 54.959, de 9 de novembro de 1964, assinado pelo então presidente Castello Branco. O documento atribuiu ao 2º Batalhão Ferroviário a missão de construir o trecho Uberlândia–Araguari–Pires do Rio e executar trabalhos complementares na ligação entre Pires do Rio e Brasília.

A execução do novo traçado ficou sob responsabilidade da 1ª Companhia de Construção do Batalhão Ferroviário Mauá, unidade de engenharia do Exército instalada em Araguari. O trabalho foi realizado durante a ditadura militar, período em que batalhões de engenharia foram empregados pelo governo federal na construção de ferrovias, rodovias e outras grandes obras de infraestrutura.

Segundo o capitão da reserva do Exército e pesquisador ferroviário, Edmar César Alves, membro da Academia de Letras e Artes de Araguari, a variante começava em território mineiro. A partir de Araguari, o traçado avançava em direção a Goiás, atravessava a divisa estadual e seguia por Cumari e Goiandira até Pires do Rio.

Foi a participação dos militares na execução da obra que deu origem ao nome popular Ponte do Batalhão.

Fosfato, soja e fertilizantes atravessam o corredor

A ferrovia permanece ativa e atualmente é utilizada para o transporte de cargas. Dados de origem e destino da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) mostram que o corredor atende principalmente às cadeias do agronegócio, da mineração e da indústria de fertilizantes.

Entre os produtos movimentados nas rotas ferroviárias que partem de Goiás e do Distrito Federal em direção a Minas Gerais e São Paulo estão fosfato, cloreto de potássio, enxofre, soja, farelo de soja, bauxita, gesso, contêineres e outras cargas industriais.

A movimentação demonstra que a ponte construída há quase cinco décadas continua integrada a um corredor estratégico para o escoamento da produção do Centro-Oeste. O transporte de passageiros desapareceu, as antigas estações perderam sua função e parte dos trilhos originais foi retirada, mas a Ponte do Batalhão permanece sobre o vale do Rio Pirapitinga, sustentando os pesados trens que atravessam o Cerrado goiano.


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