Quem ganha e quem perde


            *José Renato Nalini

            O aquecimento global, a maior ameaça a ser enfrentada pela humanidade, parece catastrófico para todos. Os fenômenos extremos são bem democráticos. Não poupam ninguém. Mas existem alguns setores que parecem ganhar com a piora. Um deles é o mercado de meteorologia. Ele cresceu e se expandiu desde 2021. Muitas startups foram criadas e todas crescem simultaneamente.

            Isso em virtude da ampliação dos demandantes. Se antes era só o setor da energia que contratava os serviços, para saber como seria a geração, os impactos na distribuição e outros, hoje muita gente precisa de previsão confiável.

            Citem-se as empresas de moda, o varejo em geral, a logística, os promotores de eventos, a construção civil e infraestrutura e, principalmente, o agronegócio. A assessoria meteorológica entrou no radar da sociedade como um todo.

            As previsões hoje são cada vez mais precisas, embora os fenômenos climáticos primem pela surpresa e pelo inesperado. Em São Paulo, por exemplo, chega a chover em quarenta minutos, a quantidade de chuva que deveria ocorrer durante todo um mês.

            Até há pouco, ainda se consultava a Fundação Cacique Cobra Coral, uma instituição baseada em crença que afirma não só ser capaz de prever o clima, porém modificá-lo. Diz-se que até o ditador iraquiano Sadam Hussein teria consultado a entidade.

            Também reforça a demanda a Resolução 218 da Comissão de Valores Mobiliários, que obriga elaboração e divulgação de relatórios de informações relacionadas ao clima. As ações que têm ação em Bolsa deverão detalhar como é que os eventos extremos e mudanças climáticas impactam suas operações e finanças, para que os investidores possam avaliar os riscos.

            Para os especialistas na área, o mercado ainda é próspero e pode crescer muito. Ainda assim, o clima às vezes – ou muitas vezes, aliás – pega todos de surpresa. Não se conseguiu prever, por exemplo, o tornado que devastou várias cidades paranaenses. O Centro de Gerenciamento de Emergências da maior cidade brasileira, São Paulo, tem acertado bastante e, com isso, permitido atuação firme do Poder Público, para salvar vidas e reduzir o impacto desses fenômenos sobre as pessoas.

            O entusiasmo da meteorologia não deve atuar no sentido de arrefecer aquilo que precisa ser feito: arborização, drenagem, soluções de acordo com a natureza. Erros seculares levaram à situação atual, que é grave e tende a piorar.

 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.  

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