*José Renato Nalini
O cenário geopolítico do planeta é
complexo e confuso. Democracias hegemônicas do Ocidente se rendem ao
autoritarismo. Ascendem econômica e cientificamente gigantes asiáticos tais
como Índia e China. O que esperar para as próximas décadas?
Vince Cable, num livro em que ele
fala do oeste global a eclipsar a realidade, sugere três cenários futuros. Fala
em um Ocidente global democrático a enfrentar adversários autocráticos. Ou em
mundo multipolar, com China e Índia em ascensão e sem hegemonia e um mundo
multilateral.
Quanto a nós, só podemos torcer. Não
está em nossas mãos manejar as chaves das mudanças, concentradas em algumas das
mentes menos equilibradas de nossa contemporaneidade. O que sabemos é que as mudanças
climáticas se imporão, a despeito da vontade de líderes transitórios. “Sic
transit gloria mundi”: tudo passa. Só Deus não passa, dizia Santa Teresa
D’Ávila, a “Teresona”, que não é nossa Terezinha Martin, a santinha de Lisieux,
que morreu quase menina e que é, assim como “Teresona”, Doutora da Igreja.
Também podemos orar. A oração é
ingrediente valioso para desarmar as mentes mais agressivas. É preciso
acreditar na energia natural que envolve as pessoas quando pensam com fé em
alguma causa. Independentemente da confissão religiosa ou da falta de crença,
focar pessoas nos propósitos da consciência produz efeitos que pareceriam
milagrosos, mas são respostas científicas para as potencialidades da mente
humana.
Acreditar nas pessoas é a
alternativa à violência. Violência que não é só aquela resposta cruenta às
provocações, mas a violência disfarçada na escassez. Escassez de água, escassez
de recursos, escassez de bom senso. Necessitamos todos de uma abundância de
bons pensamentos, de empatia, de vontade de tornar o mundo um lugar de harmonia
e convívio fraterno.
Talvez sejamos impotentes para transformar o
mundo inteiro, só com a nossa atuação e com as nossas preces. Mas se
conseguirmos convencer alguém mais de que a solução está no afeto, sem dúvida
melhoraremos alguma coisa desta confusa e complexa situação em que os
compromissos são desrespeitados, acordos descumpridos e se instaura o “salve-se
quem puder”!.
*José
Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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