*José Renato Nalini
Por que existe o mal? O ser humano
já nasce com essa característica de maldade, pronto para agredir, hábil para
machucar o semelhante?
Os homens são capazes de se causarem
mutuamente sofrimentos piores do que a morte. A tortura psicológica, a
humilhação, o aviltamento, podem ser mais dolorosos do que a morte, que é
instantânea. Deixar de viver é um átimo. Sofrer continuamente leva uma eternidade.
A destruição da generosidade, a
corrosão na crença da bondade instintiva ao gênero humano, é uma perversidade atroz.
O mal se dissemina e sequer é percebido pela legião dos bem-aventurados que
dispõem de tudo, até em excesso, e não se comovem com a legião, numericamente
muito superior, daqueles que sobrevivem nas condições mais aviltantes.
A matança automática dos indefesos
continua mundo afora e dela existem singulares exemplos no Brasil, campeão da
desigualdade. Outra espécie de maldade é a maledicência. Um verdadeiro
assassinato espiritual, a arte de fazer alguém espiritualmente indefeso, que
vai da mentira à difamação.
São sintomas da miséria humana, a
estabelecer o reino do mundo invertido, exatamente ao contrário do que deveria
ser o espaço de desenvolvimento coletivo da virtude, onde cada qual cresceria
em harmonia, até chegar à plenitude qualitativa.
Não significa uma ação premeditadamente
homicida. Apenas se deixa acontecer. Sem reação alguma. Sem atuar no sentido de
impedir a prática do mal. Uma inércia que é pecado gravíssimo, na categoria de
mortal.
Contudo, fala-se em humanitarismo,
em século da paz, quando o espetáculo da destruição das reservas internas de
ética e moral deixam em situação confortável aquele que consegue encontrar a
condição de cômodo gozo da boa vida, com um mínimo esforço.
Será que teremos de reconhecer que o
projeto humano é um fracasso? O que estamos fazendo para convertê-lo em
sucesso?
Minha prática equivale ao meu discurso? Onde é que eu falho? Tenho feito exame de consciência diário sobre o meu papel no mundo? Este curto estágio de algumas décadas tornou a humanidade um coletivo melhor ou me acumpliciei junto aos que prosseguem a vitimar seus irmãos, sem pudor algum, sem qualquer resíduo de remorso
*José
Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

Comentários
Postar um comentário