IA Generativa: da novidade ao impacto real para as empresas brasileiras


 

Pessoa na frente de um laptop

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

 

Por Otavio Argenton

Em menos de dois anos, a IA Generativa superou a febre inicial da curiosidade e passou a um ativo real para grande parte das empresas, com capacidade de otimizar a produtividade, gerar novos modelos de negócio e proporcionar experiências mais personalizadas para clientes e colaboradores. O ponto agora é como trabalhar a adoção deste modelo tecnológico alinhando governança e os objetivos e estratégias de negócio.

A recente pesquisa “The state of AI in early 2024”, da McKinsey & Company, indica que 65% das organizações globais já utilizam ferramentas de IA generativa de forma regular, quase o dobro do registrado na pesquisa anterior. Também foi observado que, aproximadamente, 75% dos executivos esperam impacto significativo em seus setores. Esse crescimento evidencia, não só, que a curva de aprendizado é acelerada, mas deixa à mostra os riscos intrínsecos à pressa em implementar sem o devido cuidado com a governança e a integração estratégica.

Movimentações distintas na aplicação da IA Generativa

No Brasil, a realidade ainda corre em duas velocidades distintas. Enquanto grandes corporações já se movimentam para incluir a IA Generativa em diferentes áreas, uma parcela expressiva das pequenas e médias empresas ainda observa de fora, seja por limitações orçamentárias, falta de infraestrutura ou carência de talentos especializados.

A mesma pesquisa da McKinsey aponta dados sobre o potencial econômico da IA, e estima que casos de uso dessa tecnologia podem acrescentar entre US$ 2,6 e US$ 4,4 trilhões por ano à economia global, chegando a até US$ 7,9 trilhões quando somados os ganhos de produtividade.

A distância entre o entusiasmo e a geração de valor real reside em aspectos menos glamorosos e mais estruturais, como governança, segurança, gestão de dados e, sobretudo, clareza sobre quais problemas a tecnologia deve resolver. Não é incomum que empresas incorporem soluções de IA sem mapear riscos jurídicos, proteção adequada às informações sensíveis ou estabelecer protocolos de uso. Em ambientes inseguros, essa negligência pode custar caro, tanto financeiramente quanto em termos de reputação.

Do hype à estratégia sustentável

Superar esse descompasso exige um investimento coordenado em três frentes essenciais. A primeira é a definição dos casos de uso, escolhidos não pela efervescência da novidade, mas pela aderência às metas da organização. A segunda é a criação de estruturas internas de governança que padronizam processos, estabeleçam métricas e garantam a segurança em toda a companhia.

Por fim, a formação de talentos, pois não basta apenas contratar especialistas em dados, a capacitação dos profissionais de todas as áreas para a utilização da IA generativa de maneira ética, produtiva e alinhada às diretrizes do negócio é fundamental para o futuro das organizações.

Ao se posicionar como pilar da evolução digital, a IA Generativa exige um olhar menos pautado pelo hype e mais orientado ao impacto mensurável de suas aplicações. É justamente nesse ponto que a atuação especializada de consultorias, times internos maduros ou parcerias tecnológicas, se torna decisiva. Neste momento, para que o investimento realizado se traduza em competitividade sustentável para todo o mercado, entender o que a IA Generativa “deve fazer” é mais relevante e estratégico do que apostar naquilo que “ela pode fazer”.

Otávio Argenton é Country Manager da SoftwareOne no Brasil, provedora global e líder em soluções de ponta-a-ponta para softwares e tecnologia de nuvem.  

 

 

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