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| foto/divulgação/Corporate Relações Públicas |
Uma pesquisa realizada na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) aponta que o uso excessivo de IA pode ter um efeito de perda no poder de criatividade da atual e próximas gerações, caso modelos de aprendizagem focados fora apenas algorítmicos dominem o sistema de educação e o mercado de trabalho.
Segundo o pesquisador Rodrigo de Barros, em um trabalho realizado para o doutorado, na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), a combinação entre hiperconectividade, consumo excessivo de conteúdos mediados por algoritmos e redução das experiências presenciais está afetando diretamente os processos cognitivos ligados à criatividade, competência considerada essencial para inovação nas organizações.
“Há um perigo inerente ao consumo massivo de informações e entretenimento guiado exclusivamente por algoritmos preditivos nas redes sociais e plataformas digitais. Já estamos em um processo de crise criativa”, afirma.
Segundo o pesquisador Rodrigo de Barros, em um trabalho realizado para o doutorado, na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), a combinação entre hiperconectividade, consumo excessivo de conteúdos mediados por algoritmos e redução das experiências presenciais está afetando diretamente os processos cognitivos ligados à criatividade, competência considerada essencial para inovação nas organizações.
“Há um perigo inerente ao consumo massivo de informações e entretenimento guiado exclusivamente por algoritmos preditivos nas redes sociais e plataformas digitais. Já estamos em um processo de crise criativa”, afirma.
Ele afirma que a criatividade deixou de ser um diferencial para se tornar uma das competências mais importantes do mercado de trabalho. “O próprio Fórum Econômico Mundial posiciona o pensamento criativo como a segunda habilidade mais relevante para os profissionais do futuro. No entanto, enquanto as empresas investem cada vez mais em inovação, cresce um fenômeno silencioso que pode comprometer justamente a geração que ingressa agora no mercado de trabalho, a falta de liberdade criativa”, diz
Para enfrentar o problema, a pesquisa, inédita no Brasil, propõe um modelo, chamado de MACI, uma abordagem estruturada dividida em 5 dimensões de aprendizagem e desenvolvimento.
O modelo é composto por 25 fundamentos operacionais e 184 elementos-chave, incluindo indicadores, ferramentas e competências passíveis de desenvolvimento. O modelo possui um instrumento de avaliação (QMACI) com 75 questões para medir a maturidade da criatividade em indivíduos e equipes.
“Embora existam inúmeros estudos explicando o que é criatividade, ainda há uma lacuna sobre como ela se desenvolve. A pesquisa propõe justamente um modelo aplicado capaz de desenvolver essa competência em pessoas e equipes, partindo da premissa de que criatividade não é um dom inato, mas uma habilidade passível de aprendizagem e aperfeiçoamento”, afirma.
A tese resultou na criação de um protótipo de Sistema Web MACI, que permite realizar diagnósticos automatizados e recomendar intervenções para o RH e lideranças. “Faço palestras com as maiores empresas do Brasil e toda semana ouço relatos de falta de inovação. Empresas com processos criativos bem estruturados faturam até 2,4 vezes mais, já identificaram pesquisas internacionais”, diz.
A pesquisa analisou um portfólio inicial de 1004 artigos científicos globais. Através de critérios, a pesquisa filtrou os 101 artigos mundiais de maior impacto (estado da arte) para construir o modelo.
“Sempre que o sistema identifica um componente com nota baixa (abaixo de 3,5), ele cruza os dados com a literatura científica e recomenda intervenções precisas e personalizadas para o RH e para a liderança atuarem”, afirma o pesquisador.
Segundo o relatório Future of Jobs Survey de 2023, o pensamento criativo é a 2ª habilidade mais essencial exigida pelas empresas para os próximos 5 anos Esse debate ganha relevância em um contexto em que a rotina de crianças, adolescentes e jovens adultos passou a ser fortemente mediada por plataformas digitais.
Diferentemente de gerações anteriores, grande parte do repertório cultural, social e informacional da Geração Z é construída por algoritmos que privilegiam conteúdos de consumo rápido, altamente personalizados e repetitivos.
Para Rodrigo de Barros, esse modelo reduz significativamente a exposição ao inesperado, elemento considerado fundamental para o pensamento criativo.
A criatividade depende da capacidade de estabelecer conexões inéditas entre conhecimentos distintos. Esse processo exige curiosidade, exploração, experimentação e contato com diferentes perspectivas. Quando o indivíduo passa a consumir apenas conteúdos semelhantes aos seus interesses já consolidados, reduz-se a possibilidade de formação dessas conexões.
A preocupação ganha ainda mais força quando observada sob a ótica educacional. Os resultados mais recentes do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) mostram dificuldades persistentes dos estudantes brasileiros em resolver problemas complexos, interpretar informações e realizar raciocínio crítico.
Embora diversos fatores expliquem esse desempenho, Rodrigo de Barros destaca que a criatividade não pode ser analisada isoladamente da realidade social.
“Criatividade e inovação dependem diretamente das capacidades de aprendizagem das pessoas. Organizações internacionais como a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reforçam que desenvolver inovação exige muito mais do que investimentos em tecnologia: requer investimento contínuo no desenvolvimento humano e nas competências cognitivas da população”, diz.
O cenário representa um desafio direto para empresas que buscam inovação. A pesquisa lembra que criatividade antecede a inovação. Antes que uma organização desenvolva novos produtos, serviços ou modelos de negócio, é necessário que seus profissionais sejam capazes de produzir ideias originais. Sem criatividade, a inovação torna-se apenas reprodução incremental do que já existe.
Nesse contexto, o pesquisador defende que empresas, escolas e famílias precisam atuar conjuntamente para reconstruir ambientes favoráveis ao desenvolvimento criativo. Isso inclui limitar o uso excessivo de dispositivos digitais, estimular atividades analógicas, ampliar o acesso à cultura, promover leitura, artes, contato com a natureza e criar espaços que favoreçam reflexão e experimentação.
Mais do que uma discussão sobre tecnologia, a tese propõe uma reflexão sobre o futuro do capital humano. Em uma economia cada vez mais automatizada, o diferencial competitivo não estará na capacidade de consumir informações rapidamente, mas de produzir ideias inéditas, resolver problemas complexos e conectar conhecimentos de maneira original.
“Chegamos a um modelo de sistema organizacional que avalia os funcionários baseado em 5 dimensões, 25 componentes comportamentais e um questionário exato de 75 perguntas. O que pode ajudar empresas e os RH’s a identificar falhas nestes processos e fluxos de gestão de criação”, comenta.
Para Rodrigo de Barros, desenvolver criatividade deixou de ser apenas uma preocupação educacional. Trata-se de uma estratégia para aumentar a capacidade de inovação das organizações, fortalecer a competitividade do país e preparar profissionais para um mercado em que as competências exclusivamente humanas serão cada vez mais valorizadas.

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