Evento capacita 180 médicos do SUS na região para diagnosticarem o quanto antes a doença renal crônica, que vem avançando e já atinge 10 milhões de pessoas



foto -  O médico nefrologista José Andrade Moura Neto, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) fala na abertura da oficina de capcitação. 

 

A doença renal crônica (DRC) é considerada uma das maiores ameaças à saúde pública no Brasil. Já atinge mais de 10 milhões de brasileiros e vem avançando sobretudo por um motivo: ela evolui de forma silenciosa. Diagnosticá-la o mais cedo possível, portanto, é fundamental. É este objetivo que levou a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) a estar realizando oficinas no país para capacitar os médicos da atenção primária a fazer o diagnóstico logo. Nesta terça-feira, a SNC, em parceria com a Funfarme e a Famerp – Faculdade de Medicina de Rio Preto, reuniu 180 médicos da região noroeste paulista com este objetivo.

 

A 13ª edição da oficina foi conduzida no Centro de Convenções da Famerp pelo presidente da SBN, o médico nefrologista José Andrade Moura Neto, e pela coordenadora do Ambulatório de Doença Renal Crônica da Unifesp e diretora-tesoureira da SBN, nefrologista Patrícia Abreu. As oficinas também integram a programação do Encontro Loco-Regional do Programa Mais Médicos para o Brasil, do Ministério da Saúde.

 

A urgência desta iniciativa da SBN é demonstrada por números. Em pouco mais de uma década, o número de brasileiros em diálise passou de cerca de 100 mil para mais de 173 mil, crescimento superior a 70%, segundo o Censo Brasileiro de Diálise da Sociedade Brasileira de Nefrologia. Estima-se ainda que mais de 10 milhões de brasileiros convivam com algum grau de doença renal crônica, muitos sem saber que têm a enfermidade.

 

“Para evitarmos que cada vez mais brasileiros tenham a doença renal crônica, inclusive dependendo de diálise, a atuação de cada médico na atenção primária é fundamental. Com estas oficinas aprimoramos o conhecimento destes milhares de profissionais para reconhecerem precocemente a doença e iniciar o tratamento antes que ocorram danos irreversíveis aos rins”, afirmou o presidente da SBN.

 

Funfarme e Famerp empenharam-se para trazer a oficina para Rio Preto por entenderem a extrema importância da iniciativa e seu impacto à saúde da população da região, ressaltou o nefrologista Rodrigo Ramalho, médico do Hospital de Base e professor da faculdade. “A oficina foi uma oportunidade única. Os médicos foram atualizados sobre as diretrizes mais recentes para prevenção, diagnóstico e manejo clínico da doença renal crônica, o que é importante para padronizar o atendimento”, disse Dr. Rodrigo. O treinamento abordou principalmente a identificação dos pacientes com maior risco de desenvolver a doença, a interpretação correta de exames laboratoriais, o acompanhamento contínuo dos casos e os critérios para encaminhamento ao nefrologista.

 

A todo momento, os coordenadores da oficina enfatizaram que, na maioria dos casos, o paciente não apresenta sintomas nas fases iniciais da doença renal crônica e pode conviver durante anos com perda progressiva da função dos rins sem perceber qualquer alteração. “Quando surgem sinais como inchaço, pressão alta de difícil controle, cansaço intenso, alterações na urina ou falta de ar, muitas vezes a doença já está em estágio avançado, aumentando o risco de diálise ou transplante renal”, pontuou Dra. Patrícia.

 

Embora frequentemente associada apenas à insuficiência renal, a DRC é diferente de outros problemas que podem afetar os rins, como infecções urinárias, cálculos renais ou inflamações agudas, que muitas vezes têm tratamento e cura. Segundo Dr. Rodrigo, a doença caracteriza-se pela perda lenta, progressiva e geralmente irreversível da função renal, comprometendo a capacidade dos rins de filtrar o sangue, eliminar toxinas, controlar a pressão arterial, equilibrar sais minerais e produzir hormônios essenciais ao organismo.

 

“Justamente por ser silenciosa, a DRC exige que o médico da Unidade Básica de Saúde esteja atento aos fatores de risco, mesmo quando o paciente não apresenta sintomas”, destaca Dr. Moura Neto. Pessoas com diabetes, hipertensão arterial, obesidade, doenças cardiovasculares, idade avançada, histórico familiar de doença renal e usuários frequentes de medicamentos que podem lesar os rins devem ser avaliadas periodicamente.

 

Exames simples e amplamente disponíveis na rede pública, como a dosagem da creatinina no sangue, a estimativa da taxa de filtração glomerular e o exame de urina para pesquisa de albuminúria, permitem identificar a doença ainda nas fases iniciais.

 

Os diretores da Sociedade Brasileira de Nefrologia ressaltaram aos médicos participantes que o chamado manejo clínico na Atenção Primária vai muito além da solicitação de exames. “É muito importante que o médico acompanhe continuamente o paciente, controle adequadamente a hipertensão e o diabetes, oriente mudanças nos hábitos de vida, revise medicamentos que possam prejudicar os rins e encaminhe ao nefrologista no momento adequado. Esse acompanhamento é fundamental para retardar a progressão da doença e preservar a função renal pelo maior tempo possível”, afirmou Dr. Moura Neto.

 

O diagnóstico tardio pode trazer consequências graves. Sem tratamento, a perda da função dos rins tende a evoluir progressivamente, aumentando o risco de insuficiência renal, necessidade de hemodiálise ou transplante renal, além de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca, anemia, alterações ósseas e maior número de internações.

 

Hospital de Base de Rio Preto é referência no tratamento da DRC

Para atender à crescente demanda por paciente com doenças renais da região noroeste, o Hospital de Base de Rio Preto possui uma das maiores infraestruturas do Estado de São Paulo e com equipe multiprofissional altamente especializada e completa para o diagnóstico e tratamento, inclusive para realizar transplantes de rim.

 

Sua Unidade de Hemodiálise é uma das maiores do interior paulista, com capacidade para atender 552 pacientes em hemodiálise. Em apenas seis anos, o HB de Rio Preto registrou aumento de 63% no número de pessoas que realizam este procedimento. O total de pacientes passou de 290, em 2020, para 473, em 2026. Somente no ano passado, foram realizadas cerca de 80 mil sessões de hemodiálise.


por Alexandre Souza 

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