Carbono vira dinheiro

 


            *José Renato Nalini

            Na verdade, o gás carbônico expelido pelos combustíveis fósseis é um veneno. Só que o mercado de crédito de carbono é uma realidade que não pode ser ignorada pelos municípios. A ciência demonstrou que a cobertura vegetal atua como lenitivo ao veneno expelido pelas emissões dos combustíveis fósseis. A absorção do gás carbônico é essencial a preservar a atmosfera necessária à subsistência de toda espécie de vida no planeta.

            O mundo inteiro já percebeu isso e está comercializando os créditos de carbono. Ou seja: as grandes emissoras dos gases do efeito estufa podem se beneficiar adquirindo essa comodity que pode ser comercializada por governos que zelam pela conservação da cobertura vegetal em seu território.

            Isso existe para os países, para os Estados e para os Municípios. O Brasil demorou muito a legislar sobre esse mercado. Legislou. Agora está atrasado em regulamentar o funcionamento. O Ministério da Fazenda tenta apressar a normatividade, ao criar um sistema de precificação das emissões de gases de efeito estufa de empresas com operações no Brasil.

            O Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões é o nome formal do mercado de carbono no país, só criado em 2024. O governo determina um teto de emissões para as grandes empresas poluidoras, que precisam ajustar seus processos produtivos para cumprir a meta. Se não cumprirem, elas têm de comprar cotas vendidas por empresas que conseguiram emitir menos do que o determinado pelo governo.

            Na omissão governamental, várias empresas criaram mecanismos que interessam à administração pública municipal. A Tesouro Verde, por exemplo, comercia “unidades de conservação”, ou seja, o pagamento destinado aos governos que mantêm áreas intactas ou as ampliem, mediante consequente projeto de restauração de áreas degradadas ou aumentem a extensão do território verde.

            Em lugar de apenas pagar por serviços ambientais, instrumento válido, a cidade pode ganhar pela mera preservação de seus espaços verdes. Isso pode ser mais um incentivo para que o município amplie suas florestas urbanas e plante mais árvores. Ou seja: agora, a cobertura florestal gera receita e isso deve interessar para todas as cidades.

            Vamos levar isso a sério?

 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

 

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