As oportunidades climáticas



            *José Renato Nalini

            O maior desafio para a humanidade é o cataclismo climático. Ele já foi chamado de emergência climática e, muito antes, de mudança climática. Os cientistas se cansaram de avisar e ninguém prestou atenção. Agora, quem está com a palavra é a natureza e ela parece zangada. Tantos maus tratos, tanta ignorância e tanta cupidez, tudo junto, gerou o total desequilíbrio do clima neste frágil planeta Terra.

            A economia da mudança climática pode ser atraente, se houver juízo. A eletrificação da frota de ônibus de São Paulo é uma prova disso. Embora cada veículo custe muito mais caro, a economia mensal em combustível é algo que compensará. Mas também é preciso precificar o benefício da melhoria da atmosfera. Cada ônibus significa o plantio de 6.640 árvores e deixa-se de consumir 35 mil litros de óleo diesel a cada ano.

            As soluções verdes para as edificações devem motivar os construtores, empreendedores e demais empresários da poderosa indústria da construção civil. Até agora, temos nos servido da “solução do concreto”. Agora é preciso adotar as “soluções de acordo com a natureza”. Elas são mais baratas e muito mais vantajosas. Em vez de grandes estruturas de cimento e aço, deixar que a terra absorva o excesso de água. Quando não há água, o que é mais comum nestes tempos de escassez, aquilo é um parque verde, serve para o entretenimento, a paisagem seduz e é uma solução natural.  

            Tudo precisa ser pensado à luz de três vertentes: conquista, esperança e perigo. A conquista é fruto da revolução tecnológica, transformadora das perspectivas de energia limpa, abundante e barata. A esperança é o futuro que ofereça prosperidade e ambiente sustentável. O perigo é que a insensatez humana, até o momento predominante, rejeite a conquista e destrua a esperança. É algo que está no livro “A história do crescimento no século 21: economia e oportunidade na mudança climática”, de Nicholas Stern. Que vença a esperança e tenhamos coragem de banir o perigo. Quanto às conquistas, estas continuarão a surpreender a humanidade. Ciência e tecnologia são irrefreáveis.

 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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