Usar cartão de crédito sem afundar em dívidas virou um grande desafio: aprenda a usufruir das vantagens e benefício e ainda manter contas em dia
Diretor de Negócios do Sicoob Circuito das Águas alerta para
armadilhas e explica o que usuário deve fazer para evitar complicações no orçamento
O cartão de crédito, um dos meios de pagamento mais populares do país, também tem se revelado um dos principais vilões do orçamento das famílias brasileiras. Em meio ao avanço do superendividamento, usar o limite disponível sem comprometer as contas tornou-se um desafio para milhões de consumidores. Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostram que 80,9% das famílias estavam endividadas em abril de 2026, o maior índice já registrado pela pesquisa. Embora ofereça praticidade, segurança e benefícios como programas de pontos e parcelamentos, o cartão exige planejamento e disciplina. Quando utilizado sem controle, pode rapidamente transformar pequenas compras em uma bola de neve financeira, impulsionada pelos altos juros cobrados no crédito rotativo.
Para ajudar os consumidores a aproveitar as vantagens do serviço sem cair em armadilhas, especialistas apontam hábitos simples que fazem diferença na hora de frear o ímpeto de gastar além da capacidade. Diretor de Negócios do Sicoob Circuito das Águas (SP), ligado ao Sicoob UniMais Rio, Alex Antônio destaca que o cartão é a modalidade de serviço mais atrelado ao processo crescente de endividamento dos brasileiros, à frente de carnês e crédito pessoal. Atualmente, o cartão é o teste mais impiedoso para quem não tem noção de educação financeira, principalmente pela facilidade de utilização.
"Quem entra no rotativo precisa entender que essa não é uma opção, é um alerta vermelho", diz o especialista, que atua em cooperativas de crédito em São Paulo e Minas Gerais.
Basta fazer as contas para entender o impacto da inadimplência no cartão de crédito. Quem não paga a fatura integral no vencimento cai no crédito rotativo, em que os juros chegaram a 432,1% ao ano em abril de 2026, segundo o Banco Central, o que representa uma alta de 3,7 pontos percentuais sobre março. Na prática: uma dívida de R$ 800,00 pode se transformar em R$ 4.256,80 ao fim de 12 meses.
Para quem já está preso no rotativo, Alex Antônio é direto: "Antecipar o problema é sempre melhor do que deixar vencer. Procure um empréstimo pessoal ou uma linha de capital de giro, quite o cartão e parcele a dívida. Os juros serão muito menores."
Ele também chama atenção para armadilhas que passam despercebidas no dia a dia. As parcelas de pequenas compras, com valores de R$ 30,00 R$ 40,00 ou R$ 50,00, costumam ser vistas como inofensivas, mas esta percepção isolada acaba quando a fatura vira um pesadelo no fim do mês. "Use o crédito para compras com valor relevante e que realmente façam sentido no seu orçamento. Não para impulsos do momento”, diz, orientando os consumidores a optar por parcelamentos quando o preço do item adquirido for alto e atentar para excesso de miudezas que, somadas, podem ser as vilãs do mês.
Esses impulsos de consumo foram turbinados pelas redes sociais, que funcionam como gatilhos de um mercado que traz cada vez mais ofertas associadas a facilidades de pagamento. "A propaganda digital é calibrada para explorar desejos antigos. A gente compra o que não precisa com dinheiro que não tem para impressionar quem nem nos conhece", resume o diretor de negócios.
Ele também alerta para o aumento automático de limite, comum nas faturas e perigoso para quem tem compulsão por compras. "É como a dose de um remédio: baixa demais não faz efeito. Alta demais te mata. Cada pessoa precisa saber qual é o seu limite real”, observa.
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A regra de ouro, segundo Alex Antônio: a fatura mensal do cartão nunca deve ultrapassar 30% da renda. "Se passar disso, você já está comprometendo reservas ou deixando de investir, e aí qualquer imprevisto desequilibra tudo”, orienta.
Como usar o cartão a seu favor
Nas mãos de quem se planeja, o cartão deixa de ser vilão e passa a ser ferramenta financeira de primeira linha. Um exemplo prático: em vez de resgatar R$ 5 mil de uma aplicação para pagar à vista, o consumidor pode parcelar o item em dez vezes sem juros e manter o capital investido.
Alex Antônio cita ainda que todo cartão de crédito possui duas datas essenciais: o vencimento da fatura e o fechamento (ou corte). A maioria dos aplicativos de cartão exibe esses dados e, muitas vezes, indica qual é o melhor dia para compra logo após o fechamento da fatura. "Se o corte é no dia 20, quando a fatura fecha, uma compra feita no dia 21 só entra no mês seguinte, acrescentando praticamente 40 dias de prazo. Saber isso muda o jogo. É o cartão trabalhando a seu favor”, explica.
Além do controle das datas, Alex Antônio orienta o uso dos programas de fidelidade. No Sicoob, os pontos do Programa Coopera podem ser trocados por passagens aéreas, descontos direto na fatura ou convertidos em cotas da cooperativa. O prazo de validade dos pontos, em geral seis meses, exige atenção. É dinheiro na mesa que muita gente deixa passar.
Para reduzir o risco de fraudes em compras online, a recomendação é usar cartões virtuais temporários em negócios fechados pela internet. "Seu cartão físico tem limite de R$ 10 mil e os dados podem ser capturados. Com o virtual, você gera um número único para aquele valor específico da compra. O golpe fica inviável", aponta.
A geração que recebeu limite antes do preparo
Se a educação financeira é necessária para todos, para os jovens ela é ainda mais urgente. Seis em cada dez brasileiros entre 18 e 24 anos já têm cartão de crédito, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com o Sebrae. O mesmo estudo revela que quatro em cada dez jovens já tiveram o nome negativado, e entre as causas estão a perda de emprego (24%), falta de planejamento ou gastos acima da capacidade (21%), além do empréstimo do nome a terceiros (20%).
"O ideal seria que toda pessoa, antes de receber o primeiro cartão, tivesse pelo menos uma noção básica de como ele funciona", sugere o especialista.
O Sicoob mantém programas de educação financeira para seus associados e, por meio do Instituto Sicoob, oferece cursos abertos ao público, inclusive nas escolas, pelo programa da Semana Nacional de Educação Financeira (Enef). No site das Clínicas Financeiras do instituto, os interessados podem agendar consultas com voluntários de acordo com a temática relacionada à sua necessidade. O suporte reúne especialistas em diferentes áreas: da organização do orçamento pessoal e familiar a estratégias para sair do endividamento, passando pelos primeiros passos no mundo dos investimentos e por orientações para aposentadoria, sempre com foco em ações práticas.
Qualquer pessoa pode agendar gratuitamente uma consultoria digital. Basta acessar a plataforma oficial, escolher o orientador mais adequado ao seu perfil e marcar a conversa. Também é recomendável acompanhar o site, pois podem ser programadas ações presenciais pontuais por voluntários de cooperativas parceiras. Para agendar é preciso acessar o link: Link.
Assessoria de imprensa – Dona Comunicação
Adriana Miranda
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