TerraClass divulga dados atualizados sobre cobertura e uso da terra no bioma Amazônia

 



 

Os dados completos mais recentes já estão disponíveis na plataforma GeoPortal TerraClass. Foto: Alex Coutinho

A Embrapa e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) disponibilizaram nesta semana os resultados do mapeamento mais recente sobre a cobertura e o uso da terra em áreas desflorestadas no bioma Amazônia. Com acesso aberto no GeoPortal TerraClass, os dados são referentes ao ano de 2024 e trazem um panorama da dinâmica das áreas ocupadas pela agricultura e pecuária, e também das áreas em processos de regeneração natural na região.


Desde 2011, o projeto TerraClass produz mapeamentos sistemáticos que qualificam o desmatamento, detectado pelo sistema de monitoramento anual da supressão de vegetação nativa por sensoriamento remoto (Prodes). Ele identifica qual tipo de atividade ocupou as áreas desflorestadas e, em linhas gerais, engloba três categorias temáticas principais: agricultura (incluindo cultivos temporários, semiperenes, perenes e silvicultura), pastagem e vegetação secundária. A partir da série histórica, iniciada com o mapeamento referente a 2008 para a Amazônia, é possível analisar as transições ocorridas ao longo do tempo e melhorar o entendimento sobre os fatores condicionantes e determinantes dos processos de desflorestamento.


Somado ao mapeamento do bioma Cerrado no ano base 2024, agora o projeto passa a oferecer um retrato mais atualizado de toda essa região. “O TerraClass é fonte oficial do Estado brasileiro, seus dados apresentam escala cartográfica compatível e coerente com outras bases nacionais, como o próprio Prodes e o Cadastro Ambiental Rural (CAR), e dão suporte a diferentes políticas públicas de monitoramento, de recuperação de áreas degradadas e iniciativas voltadas para elegibilidade e rastreabilidade da produção agrícola brasileira. Com essa atualização, oferecemos uma base integrada destes dois importantes biomas, que correspondem a aproximadamente 73% do território nacional”, ressalta o pesquisador Alexandre Coutinho, da Embrapa Agricultura Digital, um dos coordenadores do projeto.


O mapeamento de 2024 é baseado em imagens do satélite Sentinel-2/MSI, utilizando um produto de 16 dias com 10 metros de resolução espacial, e processado integralmente com a adoção de pacotes tecnológicos nacionais, desenvolvidos e disponibilizados gratuitamente pelo Inpe (Brazil Data Cube-BDC e o Satellite Image Time Series-SITS).


O resultado apontou que o bioma Amazônia, com seus mais de 4 milhões de km², tem cerca de 78% de sua área coberta por formações florestais naturais e outros ecossistemas naturais não florestais típicos da região. Das áreas alteradas pela ação humana até 2024, aquelas destinadas a culturas agrícolas correspondem a 12%, sendo que a agricultura temporária (lavouras de ciclo curto) é predominante, recobrindo 10,5%. Entre esses cultivos temporários, 20% das áreas produzem apenas uma safra anual. Já a prática de mais de um ciclo de produção agrícola, representada principalmente pelo sistema de safra e safrinha de soja e milho, corresponde a 80%.


Em 2022, os cultivos temporários com mais de um ciclo representavam 88%. “Pela primeira vez na série histórica, a frequência de áreas agrícolas apresentando mais de uma safra numa mesma área recuou e a razão pode estar relacionada com a ocorrência de seca e calor extremo que comprometeram, principalmente, a janela de plantio da segunda safra”, explicou o pesquisador.


A comparação com o mapeamento anterior mostra que as culturas agrícolas de um ciclo tiveram, entre 2022 e 2024, um aumento de 95%. Essa expansão ocorreu principalmente em locais com usos agropecuários já consolidados, sobre áreas que antes tinham cultivos de mais de um ciclo (35%) ou sobre pastagens (30%). A expansão sobre áreas de vegetação natural primária ou áreas desmatadas em 2022 foi baixa, correspondendo a apenas 0,9% e 2% respectivamente.


Para o pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, Adriano Venturieri, esse mapeamento também revelou que a categoria de culturas perenes (cacau, óleo de palma, cítricos, café, etc.) expandiu de 3.903 km² em 2022 para 4.824 km² em 2024, o que representa um aumento de 921 km² (23,6%). Essa expansão reflete a crescente importância das culturas perenes na restauração produtiva das paisagens antropizadas com recuperação de serviços ecossistêmicos e preservação da biodiversidade.


Com relação a processos de regeneração, o novo mapeamento do ano de 2024 demonstrou que a área de vegetação natural secundária cresceu 3% em relação a 2022, um aumento ocorrido sobretudo por conta de transições sobre áreas de pastagens. Observou-se, ainda, que 84% da vegetação secundária se manteve estável, auxiliando tanto para a preservação da biodiversidade, sequestro de gases de efeito estufa, quanto para atingir as metas do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) do Brasil, comenta o pesquisador do Inpe, Marcos Adami. Já em relação as pastagens, em 2024 elas representaram 66% do total das áreas antropizadas, sendo que as pastagens herbáceas cobriram 76,6% desse total e as pastagens arbustivas arbóreas 23,4%.


O trabalho de mapeamento do bioma Amazônia, ano base de 2024, recebeu financiamento do Banco Mundial e apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (Faped).

  

Principais resultados para Amazônia e Cerrado


Os mapeamentos mais recentes produzidos pelo projeto TerraClass, referentes a 2024, apresentam um quadro mais atualizado da dinâmica de cobertura e uso da terra nestes dois biomas, capaz de apoiar políticas de desenvolvimento territorial sustentável para o País. 


  • Aproximadamente 64% do território compreendido pelos biomas Amazônia e Cerrado tem a vegetação natural primária preservada; 18% da área total da região é representada por pastagens e 7% pela agricultura, incluindo cultivos temporários, semiperenes, perenes e silvicultura.


  • As áreas de culturas agrícolas temporárias representam 19% do total de áreas antropizadas dos biomas Cerrado e Amazônia. A classe agrícola mais expressiva é a agricultura de mais de um ciclo anual, representando 68% das áreas de produção.


  • Entre 2022 e 2024, a agricultura anual foi ampliada em 10%, somando os dois biomas. Mais de 91% dessas novas áreas ocorreram sobre usos agropecuários já consolidados, 5% sobre áreas desflorestadas de 2022, 3% sobre vegetação natural secundária e 2% sobre vegetação primária.


  • A área de vegetação natural secundária cresceu 0,4% em relação à 2022. 84% manteve-se estável no período, enquanto 15% foi oriunda da regeneração de pastagens.

 

Como acessar os dados


Os resultados das séries históricas podem ser acessados no GeoPortal TerraClass, que também oferece ferramentas analíticas interativas, permitindo gerar gráficos e análises integradas. Os dados completos mais recentes já estão disponíveis na plataforma e compõem a série histórica que vai de 2008 a 2024, para a Amazônia e de 2018 a 2024, para o bioma Cerrado.


Acesse: www.terraclass.gov.br

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