7 de jun de 2026 às 16:30
O papa Leão XIV encontrou-se com representantes do mundo da cultura, arte, economia, trabalho e esporte na tarde de hoje (7) na Movistar Arena, em Madri.
O encontro teve a participação de representantes da cultura espanhola como o ator Antonio Banderas; o esporte foi representado pela jogadora de badminton Carolina Marín, tricampeã mundial; e a esfera acadêmica, representada por José María Coello de Portugal, vice-reitor de planejamento, coordenação e relações institucionais da Universidade Complutense de Madri. Também participaram representantes de sindicatos e associações patronais que faladam ao papa de suas preocupações e desafios, com o objetivo de construir juntos uma sociedade orientada para o bem comum, capaz de superar a fragmentação e a polarização.
Um evento histórico que respondeu ao lema da primeira viagem de um papa à Espanha em 15 anos, “Erguei o olhar”, e o apelo de Leão XIV para tecer redes entre diferentes atores sociais, demonstrando que, para além das legítimas diferenças, existe uma vontade firme de construir alianças sólidas e transversais para enfrentar os desafios do futuro.
O ator Antonio Banderas fez um discurso no qual ele recitou um texto sobre a união entre fé e cultura. “Confesso que sou vítima do feitiço de Deus”, disse, olhando o papa nos olhos.
O ator, que no dia anterior havia dirigido o elenco do musical Godspell em uma apresentação especial durante a vigília de oração com jovens na Praça de Lima, também evocou a religiosidade popular de sua cidade natal, Málaga, e as procissões da Semana Santa que marcaram sua infância.
Ele destacou a capacidade da arte de suscitar perguntas profundas: “Em um mundo que às vezes se simplifica em excesso, a arte nos ajuda a recuperar a profundidade e a alma que a inteligência artificial tenta roubar”.
Anteriormente, o arcebispo de Madri, cardeal José Cobo, havia apresentado o papa Leão XIV como um modelo para combater os extremismos. O papa quis deixar claro que a Igreja, desde suas origens, está ao lado da cultura e da arte, fomentando o encontro de sensibilidades diversas em uma busca compartilhada pela transcendência.
O “anseio” da Igreja de permanecer em diálogo com o mundo contemporâneo.
“A Igreja, consciente tanto dos seus acertos como dos seus erros ao longo da história, anseia permanecer em diálogo com o mundo contemporâneo”, disse.
Em seu discurso, Leão XIV convidou o mundo atual a não desprezar a “experiência multiissecular” da Igreja, que sempre “propõe caminhos para uma vida digna e para o bem comum”. Ele evocou são Paulo VI, que, diante da Organização das Nações Unidas, recordou que, independentemente da opinião que se tenha sobre o papa, sua missão é amplamente conhecida.
O papa também citou a sua encíclica Magnifica humanitas, publicada em 25 de maio de 2026, para retomar a questão central: “O que significa ser verdadeiramente humano?”. A essa pergunta, ofereceu uma resposta clara: “A Igreja, compartilha com humildade, mas também com firmeza, aquilo que descobriu na experiência da fé: que Jesus Cristo responde às grandes perguntas sobre a vida humana e sua plenitude, já neste mundo e até sua culminação na eternidade”.
Para abordar essas perguntas, o papa propôs um diálogo social, que comparou à arte de tecer redes, baseado no “encontro, na escuta, no diálogo e no respeito”. Essa abordagem não é nova nesta viagem à Espanha. Já estava presente em seu brasão episcopal e foi confirmada desde sua eleição como pontífice— termo que significa “construtor de pontes” —: uma ponte, primeiro, com Deus e, depois, com as pessoas, as sociedades e as culturas.
Em termos concretos, ele explicou que “tecer redes” implica que “a universidade não vire de costas para o mundo do trabalho nem renuncie à verdade; que a atividade empresarial não veja o trabalhador como apenas mais um fator na equação de seus interesses; que a arte não tenha como destinatárias apenas as elites; que o esporte não seja reduzido a espetáculo nem transformado em mero negócio; e que o progresso tecnológico leve em consideração os idosos, os pobres e aqueles que não têm voz".
Nesse contexto, o papa — matemático de formação — evocou os grandes clássicos da literatura espanhola, citando Lope de Vega, santa Teresa de Ávila, são João da Cruz e Calderón de la Barca. Recordou também a serenidade da prosa de são Tomás de Aquino, de quem herdamos os belos hinos de Corpus Christi, a Solenidade que a Igreja celebra hoje.
Para o papa, tecer redes significa também “servir de modo desinteressado”, como fizeram homens e mulheres ao longo dos séculos que, movidos pela fé, fundaram hospitais, escolas e iniciativas de caridade. Por isso convidou a perguntar com honestidade se a Europa teria forjado sua identidade “sem a marca espiritual que impregnou sua história”.
Não se trata de uma provocação, mas de um convite a pensar se a eternidade, que irrompeu no tempo e no espaço por meio da encarnação de Jesus Cristo, pode voltar a reconciliar-se com o cotidiano”, disse. E acrescentou: “É realmente possível acreditar que a Europa — que tanto amamos — seria ela mesma sem a marca da fé? Por que temer que a eternidade impregne o cotidiano?”
Por fim, o papa afirmou que Cristo restitui o bem comum ao seu lugar central como o árbitro que “aplaina a cobiça de uns e alimenta a esperança de outros, enquanto anseia salvar a todos”.


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