*José
Renato Nalini
Rui
Barbosa foi considerado um dos brasileiros mais inteligentes e cultos que esta
Terra de Santa Cruz já produziu. Tão bom, que só poderia perder as eleições
presidenciais de 1910 para o tirânico Hermes da Fonseca.
É
muito comum a citação de um trecho seu, a constatar a situação à época, mas
desabafo válido até hoje: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver
prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver
agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da
virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto."
Mas
não foi essa a sua única frase tocante, que nos faz refletir e a pensar o que
aconteceu com o Brasil.
Quando
ocorreu o célebre atentado contra o primeiro Presidente Civil da novel República
Brasileira, em 5.10.1897, ele teve de atuar na Sessão do Senado em que se
decidiria se deputados e senadores envolvidos na trama poderiam ou não ser
processados.
Um
dos suspeitos era o Vice-Presidente Manoel Vitorino, que se encantara com o
poder, durante interinidade que assumiu por ocasião de enfermidade de Prudente.
E Manoel Vitorino faltou à sessão. Rui chamou os colegas à ordem, pois o
Parlamento de então já merecia reparos. Disse então, pedindo ao Criador lhes
desse responsabilidade:
“Restitui-lhes
[aos legisladores], Senhor, o senso das necessidades nacionais: dai ao governo
brasileiro a coragem heroica da lei, incuti ao povo brasileiro o sentimento
indômito do direito, livrai o soldado brasileiro da vertigem do sangue,
ensinai-o a amar a obediência e a paz, a humanidade e a paciência, a pobreza e
o sacrifício, que são as verdadeiras fontes da bravura. [...] Senhor,
libertai-nos da ambição política, em cujas garras esta Nação caiu como presa
indefensa; permiti que a República Brasileira não tenha por colunas o
jacobinismo e o terrorismo, mas o sentimento liberal e o sentimento religioso”.
Algo semelhante e talvez mais contundente não faria mal em nossos dias, quando tantas vezes o interesse comum é olvidado em prol de emendas discutíveis, de Fundos Partidário e Eleitoral e outras questiúnculas banais, que nada acrescentam em dignidade ao Parlamento tupiniquim.
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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