*José Renato Nalini
Quando se discute se o STF tem ou
não de ter um Código de Ética, os que se detiveram a estudar essa ciência do
comportamento moral dos seres humanos em sociedade só podem concluir que a
moral não é absoluta. Ela é menos do que relativa. Ela é complacente, como se
aprendia nas aulas de Medicina Legal, quando assim se qualificava uma espécie
de hímen.
É que a ética varia de acordo com os
interesses. Surreal o CNJ concluir que familiares podem advogar em tribunais
integrados por parentes. Ou até por mais do que parentes, como é o caso de
marido e mulher.
Mas isso não acontece agora e não é
privativo da cultura tupiniquim.
No livro “Introdução à Sociologia”,
de Peter Berger, há um capítulo bem interessante: “Como trapacear e se manter
ético ao mesmo tempo”.
Isso é o que ocorre na política,
onde, além de protestarem pela postura essencialmente democrática, os
profissionais dessa atividade partidária se consideram éticos. Absolutamente
éticos.
Uma historinha serve para ilustrar
como funciona o raciocínio desses varões de Plutarco, desses Catões da
República.
Em uma cidade dos Estados Unidos
havia um templo batista e essa confissão é muito rigorosa em princípios morais.
Não muito longe da igreja, havia uma fábrica de cerveja. Para os batistas, era
a vanguarda de Satanás.
O pastor não poupava a cervejaria em
suas pregações.
Ocorre que, por razões pouco
esclarecidas, a fábrica de cervejas fez uma doação de 150 mil dólares para a
Igreja. Os mais ortodoxos ficaram irados. Era dinheiro do demônio e não poderia
ser aceito.
Porém, a Igreja precisava de
reformas. A quantia custearia uma pintura nova. Ou o conserto do órgão. Jardins
mais bonitos. Salão social para festas. E assim é que a resistência foi se
arrefecendo.
Reunida em assembleia, chegou a
comunidade a uma decisão democrática. Lavrou-se no registro de atas: “A Igreja
Batista Bethel resolve aceitar a oferta de 150 mil dólares feita pela
cervejaria, na firme convicção de que Satanás ficará furioso quando souber que
o seu dinheiro vai ser usado para a glória de Deus”.
É assim que funciona a ética para
aqueles que só a conhecem do discurso, nunca da mais remota prática.
*José
Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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