Mostra na sala de vídeo exibe registro da performance Deportada (Todo lo que perdí) e depoimento de uma vítima de deportação; Galindo também prepara uma performance inédita no Vão Livre
Regina José Galindo, Deportada (Todo lo que perdí) [Tudo o que perdi], 2024
3 de julho a 23 de agosto de 2026
O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta, a partir de 3 de julho, a exposição Sala de Vídeo: Regina José Galindo. A mostra apresenta o registro em vídeo de Deportada (Todo lo que perdí) [Tudo o que perdi] (2024), performance da artista que utiliza o próprio corpo para denunciar as violências estruturais impostas às populações migrantes, em especial àquelas expulsas dos Estados Unidos por políticas de deportação. No final da mostra, Regina José Galindo (Cidade da Guatemala, 1974) realiza a performance inédita Duelo.
Galindo é uma das principais referências contemporâneas da performance na América Latina. Artista e poeta autodidata, formou-se na cena guatemalteca do final dos anos 1990, fazendo parte de uma geração que começou a circular internacionalmente em um período de reabertura política após décadas de ditadura militar e violência de Estado. Esse contexto atravessa toda a sua produção: nascida durante a guerra civil que dizimou e levou ao desaparecimento compulsório de milhares de guatemaltecos, Galindo transforma sua própria história em matéria artística. Em 2005, foi premiada com o Leão de Ouro para Jovens Artistas na Bienal de Veneza.
Com curadoria de Bruna Fernanda, assistente curatorial, MASP, a sala de vídeo apresenta dois canais exibidos simultaneamente. Em uma tela maior, Galindo se veste com todas as roupas de Cristina Cazales Pacheco, mulher deportada de Nova York para o México, cujo marido e filhos permanecem nos Estados Unidos. Durante a ação, os presentes são convidados a retirar, uma a uma, cada camada de roupa do corpo da artista, até o momento em que ela sai da sala. Em uma tela menor, um relato de Cristina, ao mesmo tempo íntimo e político, narra a vida construída nos Estados Unidos, a separação da família e a perda de um período de vida que não pode ser recuperado.
Na obra, os vestígios materiais de Cristina – roupas, móveis, fotografias – manifestam o apagamento de sua existência por uma sociedade que normaliza as consequências de deslocamentos forçados. Ao se cobrir com essas camadas e permitir que sejam retiradas por estranhos, Galindo coloca em cena o gesto da deportação como um ato coletivo: quem retira a roupa também participa, ainda que simbolicamente, da violência que expulsa. O trabalho retoma um tema recorrente na trajetória da artista, a migração de povos centro-americanos para os Estados Unidos, em um contexto de acirramento da repressão às populações imigrantes.
Ao longo de mais de duas décadas, a produção de Galindo tem abordado abusos dos direitos humanos, violências de gênero e opressões estruturais que operam em escala global. Em trabalhos como ¿Quién puede borrar las huellas? [Quem pode apagar as pegadas?] (2003) e Presencia [Presença] (2017), ela mobiliza o próprio corpo e o de outras pessoas como suporte para tornar visível o que as estruturas de poder buscam apagar. A roupa, recorrente em sua prática, funciona como vestígio material de um corpo que já não está mais ali, expondo a materialidade de uma existência reduzida, muitas vezes, a um número ou a uma estatística.
Deportada (Todo lo que perdí) [Tudo o que perdi] foi comissionada e produzida pelo Hemispheric Institute (Nova York, EUA), com apoio de Mellon Fellow Residence, em fevereiro de 2024, com fotografias de Manuel Molina Martagon e agradecimentos a Cristina Cazales e sua família. A obra é inédita no Brasil.
Sala de Vídeo: Regina José Galindo integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A programação do ano também inclui mostras de Carolina Caycedo, Colectivo Acciones de Arte, Claudia Alarcón e Silät, Damián Ortega, Jesús Soto, La Chola Poblete, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani e Sol Calero. E mostras audiovisuais de Clara Ianni, Oscar Muñoz, Claudia Martínez Garay e Edgar Calel.
PERFORMANCE NO VÃO LIVRE
Por ocasião do encerramento da Sala de Vídeo, em 22 de agosto de 2026, Regina José Galindo realizará uma performance inédita no Vão Livre do MASP. Intitulada Duelo, a ação é desenvolvida a partir de uma pesquisa sobre violência policial no Brasil e dialoga com o trabalho exibido na sala de vídeo. A artista estará vestida com as roupas de luto de uma mãe que perdeu um filho assassinado pela polícia e permanecerá imóvel enquanto o depoimento dessa mãe é transmitido ao longo de aproximadamente uma hora. Horário a confirmar.
SOBRE A ARTISTA
Regina José Galindo (Cidade da Guatemala, 1974) é artista e poeta. Autodidata, ela desenvolveu sua prática na cena guatemalteca dos anos 1990 e se tornou uma das principais referências da performance na América Latina contemporânea. Utilizando o corpo como principal suporte, sua obra tensiona os limites físicos e morais de si mesma e do público para denunciar abusos dos direitos humanos, violências de gênero e opressões estruturais. Em 2005, foi premiada com o Leão de Ouro para Jovens Artistas na Bienal de Veneza. Sua obra integra coleções e foi apresentada em instituições de referência em todo o mundo. No Brasil, realizou uma exposição individual na Galeria Portas Vilaseca, no Rio de Janeiro, em 2025.
ACESSIBILIDADE
Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, mediante solicitação pelo e-mail acessibilidade@masp.org.br, além de textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras. Todos os materiais estão disponíveis no site e canal do YouTube do museu e podem ser utilizados por pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessadas em geral, em visitas espontâneas ou acompanhadas pela equipe MASP.
REALIZAÇÃO
Sala de Vídeo: Regina José Galindo é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O ano de Histórias Latino-americanas no MASP conta com patrocínio do Nubank.
SERVIÇO
Sala de Vídeo: Regina José Galindo
3.7 — 23.8.2026
Curadoria: Bruna Fernanda, assistente curatorial, MASP
Edifício Lina Bo Bardi, 2º subsolo
MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200
Telefone: (11) 3149-5959
Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h) com patrocínio Nubank; quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30 com patrocínio B3); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Ingressos: R$ 85 (entrada); R$ 42 (meia-entrada)
Clientes Nubank Ultravioleta têm 50% de desconto no valor do ingresso inteiro e nos produtos selecionados da loja do MASP; clientes Nubank têm 25% de desconto.
Site oficial
X (ex-Twitter)
Comentários
Postar um comentário