Eta sanguinho bom!

 



            *José Renato Nalini

            Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Instituto Oswaldo Cruz pesquisaram mosquitos da Mata Atlântica e verificaram que eles preferem sangue humano. Ainda que eles tenham centenas de opções de mamíferos, aves e outros vertebrados, a preferência é o sangue do bicho-homem.

            A análise do material genético do sangue presente no sistema digestório dos insetos consegue apurar qual foi a última refeição das fêmeas de mosquitos. Dezoito insetos haviam picado pessoas; outros seis se alimentaram do sangue de aves, principalmente galinhas domésticas, mas até da maior águia brasileira, a harpia. Só um sugou uma espécie de anfíbio, provavelmente uma perereca e outros dois picaram cães e camundongos.

            Não é incomum que eles piquem, indistintamente, animais e seres humanos. O resultado da pesquisa foi publicado na Revista Frontiers in Ecology and Evolution e oferece bom material para reflexão.

            Há uma profusão de mosquitos na exuberante biodiversidade brasileira. Para a pesquisa foram capturados 1.714 indivíduos, de 52 espécies, a grande maioria nativa de regiões tropicais do Brasil. Desse total, apenas 145 fêmeas, ou 8,5% da amostragem de insetos, haviam se alimentado de sangue. O que atrai os mosquitos é o gás carbônico que todo animal produz ao respirar.

            O preocupante é que dentre as espécies flagradas se fartando com sangue humano estão aquelas que transmitem dengue e febre amarela, malária e outras doenças. O perigo é que a mistura na escolha da refeição pode se tornar mecanismo de troca de patógenos, causadores de doenças, entre seres vivos. Se o vírus estiver presente no sangue de um roedor ou macaco e conseguir inocular o organismo humano, é mais um perigo para a humanidade.

            Por isso, usar repelente, não usar como escusa a sua imunidade, porque o risco está nessa variedade de refeições dos pernilongos, que escolhem o que está mais fácil e apetitoso à mostra.

            Eliminar criadouros também é conveniente. E estimar os sapos, que fazem do próprio mosquito o seu prato predileto.

 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

           

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