*José Renato Nalini
Em 2025, houve muitos incêndios em
parques florestais. Só em São Paulo, foram mais de 160. E por que existem
incêndios?
Não é combustão espontânea, como
acontece em vários lugares, mercê da maldosa combinação entre escassez
pluviométrica e elevação exagerada do calor. Aqui, as causas puderam mostrar
que e o primeiro vilão é o balão. Aquela bela prática de fazer balões em junho,
para “enfeitar o céu” de estrelas fabricadas por mãos humanas, converteu-se num
pesadelo para a defesa civil.
Na capital, os balões apreendidos
não eram aqueles minúsculos artefatos que levitavam com pequenas tochas de
parafina. São balões com mais de duzentas folhas de papel de seda, alimentadas
por potentes tochas, às vezes mais do que uma.
O segundo vilão é a criminosa queima
dos fios elétricos para retirar cobre. Quase sempre vendido para receptadores e
revertido no sustento da dependência química de drogas dos ladrões. Não são a
queima de um ou dois quilos. A polícia chegou a surpreender a combustão de
centenas de quilos de fios. Criminosos que põem em risco a população de forma
reincidente. Privado pessoas da energia elétrica e propagando incêndios em
áreas protegidas.
A terceira causa é a de fogo aceso
para manifestações religiosas. Para culminar as más notícias, o orçamento para
evitar incêndios florestais reduziu em 17% a sua verba. Estão previstos R$
495,8 milhões, ou R$ 101 milhões a menos que os R$ 596,9 milhões previstos para
o ano passado. É a menor verba do mandato do atual presidente. A Ministra
Marina Silva, sempre utilizada como “grife verde”, mas igualmente
desprestigiada, havia pleiteado R$ 507,4 milhões e não descartou a possibilidade
de obter recursos adicionais durante este ano.
Os ambientalistas lamentam. Como,
aliás, têm muito a lamentar nesta era de ganância de braços dados com a
ignorância. Pois a volta do El Niño é o cenário ideal para intensificar a
potencialidade de incêndios. Já não basta a insanidade do PL da Devastação e
ainda se acrescenta miséria à indigência, cortando verba para evitar incêndios.
E quem conhece o Brasil sabe que em ano eleitoral, muitas autoridades “fecham
os olhos” para as calamidades provocadas diretamente pelos homens, para
favorecer seus candidatos. É a experiência relatada por Ane Alencar,
especialista em fogo e diretora de ciência do IPAM – Instituto de Pesquisa da
Amazônia. Ela já percebeu que o foco na área ambiental diminui em período eleitoral,
enquanto, lamentavelmente, aumenta o fogo. É preciso mais foco para ter menos
fogo.
*José
Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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