*Laércio Teixeira
A Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, popularmente conhecida como Corpus Christi, celebrada nesta quinta-feira, está intimamente ligada à Quinta-Feira Santa, quando a Igreja celebra a instituição da Eucaristia por Jesus na Última Ceia. Neste dia, Jesus, no Santíssimo Sacramento, passeia pelas ruas e, como Igreja, o adoramos publicamente, Ele que conduz a humanidade ao Reino dos Céus. Este é o nosso “para que”, o motivo mais profundo da nossa existência: a eternidade com o Ressuscitado.
No ato de confeccionar o tapete, há o encontro com a arte e a beleza que, segundo Platão (Livro X, 2006), despertam-nos para um mundo mais elevado. Nós nos reconhecemos como “corpo”, no qual cada um, desde crianças a idosos, dá o seu contributo para que, através da beleza, os corações sejam tocados e rendam louvores ao grande dono da festa.
Na homilia de 23 de junho de 2011, o então Papa Bento XVI afirmou que a Eucaristia, como dom universal, nos permite tocar a realidade de que o amor de Cristo não é destinado apenas a alguns, mas a toda a humanidade. Ademais, o pão e o vinho consagrados podem nos renovar, já que, na Última Ceia, Jesus se entregou por completo em um grande gesto de amor.
“Eis onde o amor tem sua fonte: que benevolência resplandece ali! Que ações de graças e louvores te são devidos por isso! Como é salutar e proveitoso teu desígnio de instituir a Eucaristia! Como é doce e agradável o festim em que te deste como alimento! Como é admirável tua obra, Senhor! Como é poderosa tua força e infalível tua verdade! Disseste, e tudo foi feito (Sl 32,9). E o que foi feito foi o que tu mesmo ordenaste” (A Imitação de Cristo - Livro IV).
A ressurreição de Jesus revela que o amor de Deus feito homem é mais forte do que a morte. Seu Corpo e Sangue tornam-se alimento para a nossa alma, aproximando-nos de Deus e também dos irmãos. Quando recebemos a comunhão, entramos na vida de Cristo e somos transformados por Ele. Como dizia Santo Agostinho, “é Cristo quem nos assimila a si”.
Essa experiência não pode permanecer apenas em nós, é necessário que transcenda. À medida que reconhecemos Jesus na Eucaristia, devemos percebê-lo também no próximo, especialmente nos que sofrem e naqueles que ainda não fizeram uma verdadeira experiência de amor com Jesus. Esse é o compromisso do cristão diante de uma sociedade marcada pela falta de fé, pelo vazio espiritual e por ideologias anticristãs que afastam o homem da esperança no Reino dos Céus.
Caros irmãos em Cristo, os atalhos nunca serão a resposta para uma vida integral e magnânima. Não há como fugir da cruz, das dores e dos martírios de cada dia, pois é a partir deles que somos forjados e convocados a responder à vida através das nossas escolhas.
Caminhemos rumo “aos céus novos e à terra nova”, conforme Apocalipse capítulo 21, versículo 1. Não percamos de vista que é na Eucaristia que somos sustentados, fortalecidos e conduzidos pelo próprio Cristo no caminho da salvação.
*Laercio Teixeira é teólogo e missionário da Comunidade Canção Nova.
Foto: Arquivo pessoal.

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