Reforma tributária acelera corrida das empresas para adaptar ERPs e evitar "apagão fiscal"




A reforma tributária passou a impactar diretamente a operação tecnológica das empresas brasileiras. Com a aproximação da fase prática de transição dos novos tributos, CIOs, diretores de TI e áreas fiscais iniciaram uma corrida para adequar sistemas de ERP, motores de cálculo tributário e processos financeiros ao novo cenário regulatório.

A principal preocupação do mercado está na complexidade operacional que será criada pela convivência simultânea entre os regimes tributários antigo e novo durante os próximos anos. Empresas que não iniciarem imediatamente os ajustes sistêmicos correm risco real de enfrentar falhas fiscais, problemas de faturamento e prejuízos financeiros.

Segundo Rodrigo Tarla Vaccari, (foto) especialista em consultoria de ERP global, a reforma tributária representa um dos maiores desafios tecnológicos já enfrentados pelas empresas brasileiras na área fiscal. “A complexidade não está apenas na mudança das regras tributárias, mas na necessidade de manter dois sistemas funcionando simultaneamente durante a transição. Isso exige revisão completa de parametrizações, integrações e arquitetura dos ERPs”, afirma.

Entre os principais pontos de atenção estão a adaptação aos novos tributos CBS, IBS e IS, atualização dos leiautes fiscais, homologação de NF-es junto à SEFAZ, integração com sistemas de split payment e revisão dos processos de creditamento tributário.

Outro fator crítico envolve empresas que ainda operam sistemas legados ou versões antigas de ERP sem suporte adequado às novas exigências fiscais. Nesse cenário, o especialista alerta para o risco de um verdadeiro “apagão fiscal”, comprometendo emissão de notas, apuração de impostos e conformidade regulatória.

Além da atualização tecnológica, Vaccari destaca que o processo também exige capacitação das equipes fiscal e de TI, já que a adaptação dependerá tanto da infraestrutura sistêmica quanto da capacidade operacional das empresas. “A tecnologia oferece a estrutura, mas a conformidade depende de pessoas preparadas para interpretar regras, validar parametrizações e responder rapidamente a inconsistências”, explica.

Para o especialista, empresas que iniciarem a adequação ainda em 2026 terão vantagem competitiva nos próximos anos, reduzindo riscos operacionais e aumentando eficiência tributária durante a transição. “Quem tratar a reforma tributária apenas como uma obrigação fiscal corre o risco de reagir tarde demais. Hoje, a adequação sistêmica já se tornou uma questão estratégica para continuidade operacional”, conclui Vaccari.

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