Pró-Vítima entra no caso Bete do Broa após cassação de mandato e denúncia de violência política de gênero
Instituto atua junto à Defesa da vereadora de Itirapina-SP, a fim de contestar afastamento validado pelo Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo; para a entidade, parlamentar está sendo alvo de perseguição
vereadora Bete do Broa (PSD) e a promotora de Justiça Celeste Leite dos Santos,
O Instituto Brasileiro de Atenção e Proteção Integral a Vítimas (Pró-Vítima) ingressou com ação no Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo em defesa da vereadora Elisabete de Oliveira Silva, a Bete do Broa (PSD), de Itirapina-SP. A parlamentar teve o mandato cassado por decisão da Câmara Municipal, em dezembro de 2025. O Pró-Vítima contesta o afastamento, alegando que o mesmo configura perseguição política, violência de gênero e tentativa de silenciamento de uma mulher em posição de poder.
O caso da vereadora pessedista vem sendo acompanhado pelo Pró-Vitima desde janeiro deste ano. Presidido pela promotora de Justiça Celeste Leite dos Santos, do Ministério Público (MP) de São Paulo, o Instituto está concedendo suporte jurídico e técnico, em articulação com a Defesa de Bete do Broa.
O objetivo é reverter a perda do mandato e garantir os direitos políticos da parlamentar. Para a entidade, há abuso nas decisões que prejudicam diretamente a política, que é especialista em Gestão Pública e em Gestão Ambiental e está no segundo mandato na Casa de Leis itirapinense.
No último dia 24, o fórum local julgou procedente a ação movida pela vereadora do PSD e declarou a nulidade do Decreto Legislativo 4/2025, responsável pela cassação do exercício legislativo. Contudo, a reintegração imediata de Bete do Broa ao cargo não foi determinada, uma vez que ainda segue em vigor decisão do TJ, de 11/2, em desfavor da parlamentar. Um agravo de instrumento aguarda julgamento em segunda instância.
O Pró-Vítima é categórico ao afirmar que o que existe no caso da vereadora não se resume, tão somente, a uma possível quebra de decoro - justificativa da Câmara Municipal para a cassação. Com histórico combativo, indiscutivelmente fiscalizatório e perfil de liderança, Bete do Broa é considerada oposição da Prefeitura e, não de hoje, sofre discriminação e intimidação em razão de sua atuação.
O imbróglio com a parlamentar teve início com a abertura de um processo de cassação, finalizado na Câmara Municipal em 19/12. Os vereadores entusiastas ao afastamento alegam que Bete do Broa recebeu valores inerentes ao cargo concursado de agente comunitária de saúde, enquanto estava afastada do trabalho, em 2020 - uma vez que já tinha mandato e não poderia acumular função.
A pessedista assegura que os vencimentos foram, mesmo, pagos pela Prefeitura, indevidamente, numa conta-salário, mas que assim que percebeu o equívoco, devolveu o montante aos cofres municipais com correção. O procedimento, à época, então, foi prontamente arquivado.
Uma viagem oficial, em 2023, da vereadora à Brasília-DF, e que foi custeada com recursos públicos, ensejou nova tentativa de afastamento por parte do Legislativo de Itirapina. O processo ainda corre na Justiça. Bete garante que à ida ao Distrito Federal teve caráter estritamente institucional, sem qualquer tipo de vantagem ou de favorecimento pessoal. Inclusive, foi nesta agenda que a parlamentar conquistou emenda para a Municipalidade tratar seus resíduos de forma sustentável.
A advogada Ana Carolina de Freitas Osório Soares, do Pró-Vítima, chama a atenção para o contexto político da cassação:
“A linha adotada pela Defesa e que, agora, conta com o acompanhamento do Instituto Pró-Vítima, aponta tentativa de retirada da vereança por divergências político-partidárias, além de evidenciar violência política de gênero. Estamos trabalhando para provar isso no TJ e reverter o afastamento”, explica.
Celeste reforça a tese. Para a promotora de Justiça do MP-SP, a maior violência praticada contra Bete do Broa é o esforço de silenciamento e de deslegitimação de uma vereadora de oposição e enquanto mulher em posição de poder:
“Isso é incabível e inaceitável. Este caso reforça a importância de se garantir assistência especializada a vítimas de violência política de gênero”, pontua a presidente do Pró-Vítima, que é doutora em Direito Civil e mestre em Direito Penal.

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