Pe. Octavio del
Luján Moscoso
Pároco da
Paróquia São Francisco de Assis de Santa Albertina-SP
e da
Quase-Paróquia São Judas Tadeu de Paranapuã-SP
A Penitenciaria Apostólica divulgou o
Decreto por ocasião do oitavo centenário da morte de São Francisco de Assis,
por meio do qual é proclamado um Ano Jubilar especial com Indulgências
Plenárias.
“Guardai a memória de nosso pai e irmão Francisco,
para louvor e glória daquele que o engrandeceu entre os homens e o glorificou
diante dos anjos. Orai por ele, como antes ele nos pediu, e orai a ele para que
Deus nos torne com ele partícipes de sua santa graça[1].”
Enquanto ainda são atuais e eficazes os
frutos de graça do Jubileu Ordinário do ano de 2025, recém-concluído, no qual
todos fomos exortados a nos tornarmos peregrinos desta esperança que não engana
(cf. Rm 5,5), acrescenta-se agora a ele, como sua ideal continuação, uma nova
ocasião de júbilo e de santificação: o oitavo centenário do feliz trânsito de
São Francisco de Assis da vida terrena para a pátria celeste (3 de outubro de
1226)[2].
Para o Papa Leão XIV, este não é apenas um
evento histórico, mas um chamado urgente para o mundo em que vivemos hoje. Em
sua mensagem, o Pontífice destacou que São Francisco continua a ser uma “fonte
autêntica da paz” em um tempo marcado por guerras e divisões. O Papa nos
convida a viver este momento redescobrindo a importância de confiar no Senhor e
de buscar uma existência fiel ao Evangelho, tratando a criação e o próximo com
a fraternidade que o Santo de Assis tanto ensinou.
Na Igreja Católica, o Jubileu tornou-se um
Ano Santo, um tempo de renovação espiritual, perdão de pecados (através das
indulgências) e reconciliação com Deus e com os irmãos. O Ano Jubilar
Franciscano de 2026 é um jubileu extraordinário, focado em atualizar o legado
de pobreza, humildade e amor à criação de São Francisco de Assis.
E é justamente um
perdão - o conhecido “Perdão de Assis” ou “Indulgência da Porciúncula” - que o
Papa Honório III, por privilégio excepcional, concedeu diretamente a Francisco
para aqueles que, tendo confessado e comungado, visitassem, no dia 2 de agosto,
uma antiga igrejinha próxima a Assis, erguida 800 anos antes sobre uma “pequena
porção de terra” (da qual deriva o nome Porciúncula).
Com o mesmo
impulso generoso e com a mesma alegria com que o Santo, ao ver atendida sua
súplica pelo Vigário de Cristo, irradiou sobre a multidão presente na
consagração da Porciúncula ao anunciar a graça concedida, Sua Santidade o Papa
Leão XIV, Ministro da nossa fé e da nossa alegria, determina que, de 10 de
janeiro de 2026, em concomitância com o encerramento do Jubileu Ordinário, até 10
de janeiro de 2027, seja proclamado um Ano especial de São Francisco, no qual
todo fiel cristão, à semelhança do Santo de Assis, torne-se ele mesmo modelo de
santidade de vida e testemunha constante de paz.
Desde a chegada
dos frades franciscanos em 1592, a ordem influenciou a cultura brasileira
através da arte, literatura e religiosidade popular, especialmente no Nordeste,
ajudando a moldar a mística cristã do país: Francisco foi pobre e optou pela
pobreza para se colocar entre “menores” e, com isso, denunciar a pobreza, que é
sempre um pecado, sobretudo a pobreza fruto das injustiças. Por isso, ele vai
até o leproso e o abraça e se torna solidário com ele. Francisco quis mostrar
que era irmão dos pobres e não uma ameaça para eles. É uma mudança de lugar social.
É uma proximidade silenciosa e transformadora.
Sua vida se
tornou uma mensagem de fraternidade universal para com todas as criaturas das
quais Francisco chamou de irmãos, sua visão sobre a criação
("Irmão Sol, Irmã Lua") promove uma relação harmônica entre o ser
humano e a natureza, fundamental para a conscientização ecológica inspirada
numa ecologia integral através da ação social comprometida com a simplicidade,
uma oração comprometida com o diálogo o cuidado que formam o coração de uma
"igreja em saída", focada no acolhimento e na compaixão para com os
mais vulneráveis de todos os tempos!
Para concluir,
cito uma frase dita pelo Papa São João Paulo II durante uma visita ao Monte
Alverne, local onde Francisco recebeu os estigmas das Santas Chagas, e hoje
como nunca podemos afirmar com toda clareza: Francisco, o mundo tem saudades de
ti!
.png)
Comentários
Postar um comentário