De acordo com a Dra. Danielle Aguiar, otorrinolaringologista do HOPE - Hospital de Olhos de Pernambuco, o problema ocorre quando conteúdos do estômago retornam e atingem regiões sensíveis. “Ele acontece quando o ácido ou outras substâncias sobem além do esôfago e chegam até a garganta e a laringe. Essas áreas não estão preparadas para receber esse material, mesmo em pequena quantidade, então surge irritação e até inflamação da mucosa”, explica. Entre os sinais mais frequentes, ela destaca tosse seca, pigarro constante, dor na garganta, sensação de secreção presa e até rouquidão. “Muita gente relata que parece ter algo que não consegue eliminar. O organismo tenta se proteger dessa agressão e isso gera esse desconforto contínuo”, completa.
A médica reforça que a tosse persistente sem causa aparente pode, sim, ter relação com esse problema. “Quando descartamos problemas nasais, alergias ou sinusites, precisamos investigar essa possibilidade. Diferente do refluxo clássico, que traz azia e queimação, aqui o principal sintoma costuma ser a irritação contínua acompanhada de incômodo na região da garganta”, afirma.
Os fatores que favorecem o surgimento são variados e, em grande parte, ligados ao estilo de vida. “Obesidade, alimentação inadequada, refeições pesadas antes de dormir e consumo frequente de bebidas alcoólicas ou gaseificadas contribuem bastante”, orienta. Ela também chama atenção para hábitos modernos. “Hoje as pessoas comem rápido, sem atenção, consomem muitos produtos industrializados, o que dificulta a digestão. Além disso, exageros em café, chocolate, alimentos condimentados e longos períodos em jejum também impactam negativamente”, acrescenta.
A identificação exige uma avaliação cuidadosa. “O mais importante é a história clínica. Precisamos entender a rotina, os hábitos e o comportamento alimentar do paciente”, pontua. No consultório, um dos exames utilizados é a nasofibrolaringoscopia. “Observamos nariz, faringe e laringe. Não é um diagnóstico definitivo, mas mostra sinais que levantam suspeitas, como alterações de coloração ou inchaço”, explica. Em alguns casos, pode ser necessário encaminhamento para o gastroenterologista. “A endoscopia e outros testes complementares ajudam a investigar melhor quando há suspeita de envolvimento gástrico”, diz.
Para evitar o problema, mudanças no dia a dia são fundamentais. “Ajustar a alimentação é essencial. Reduzir ultraprocessados, frituras e refrigerantes, além de evitar combinações que dificultam a digestão”, recomenda. A otorrinolaringologista também destaca a importância do acompanhamento profissional. “Um nutricionista pode orientar melhor, porque às vezes o alimento é saudável, mas a forma de consumo não é adequada”, afirma. Outros pontos incluem controle do peso, prática regular de atividade física e atenção ao estresse. “Não adianta apenas emagrecer com auxílio de medicamentos e manter hábitos ruins. É preciso reprogramar o comportamento alimentar”, alerta.
Sobre a possibilidade de resolução definitiva, a especialista explica que depende da causa. “Se estiver relacionado apenas aos hábitos, é possível controlar e até eliminar com as mudanças corretas. Porém, em situações estruturais, como hérnias, pode ser necessário tratamento cirúrgico”, esclarece. Ela reforça a importância do trabalho conjunto entre especialidades. “O otorrinolaringologista pode iniciar o manejo e aliviar os sintomas, mas muitas vezes precisamos do gastroenterologista para investigar mais profundamente”, conclui.
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