8 de mai de 2026 às 16:12
Uma fumaça branca saiu da chaminé no telhado da Capela Sistina, no Vaticano, em 8 de maio do ano passado, sinalizando a escolha de um novo papa. Naquele dia, o mundo conheceu o papa Leão XIV, conhecido poucas horas antes como cardeal Robert Prevost, prefeito do Dicastério para os Bispos da Santa Sé.
A seguir, dez dos eventos e momentos significativos do primeiro ano de Leão XIV como papa:
A missa inaugural do novo papa
Em 18 de maio do ano passado, o papa Leão XIV inaugurou seu pontificado com uma missa na praça de São Pedro, no Vaticano, na qual fez um apelo por uma Igreja unida. Dirigindo-se a cerca de 150 mil pessoas, ele falou sobre a comunhão fraterna, a liderança servidora e a reconciliação, marcando o início oficial de seu ministério como o 266º sucessor de são Pedro.
Na missa, concelebrada com os membros do Colégio de Cardeais, Leão XIV falou sobre sua intenção de “ir até vós como um irmão que deseja fazer-se servo da vossa fé e da vossa alegria, percorrendo convosco o caminho do amor de Deus, que nos quer a todos unidos numa única família.
Visita ao túmulo do papa Francisco
Menos de 48 horas depois de sua eleição, o papa Leão XIV fez sua primeira visita fora do Vaticano ao santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho em Genazzano, Itália, cerca de uma hora a leste de Roma e administrado por religiosos da ordem de Santo Agostinho.
Em seu caminho de volta ao Vaticano, o papa parou na basílica de Santa Maria Maior, em Roma, onde rezou diante do túmulo do papa Francisco e do ícone de Nossa Senhora, Salus Populi Romani.
O papa Leão XIV deixou na basílica uma rosa branca, que se diz ter sido a flor favorita do papa Francisco.
Discursos impactantes para jovens
Ao longo de seu primeiro ano como papa, Leão XIV teve experiências marcantes com os jovens. Duas em particular se destacam: seus discursos para cerca de 1 milhão de jovens adultos no Jubileu da Juventude 2025 e sua conversa ao vivo com jovens reunidos na Conferência Nacional da Juventude Católica (NCYC, na sigla em inglês).
No Jubileu da Juventude 2025, que ocorreu de 28 de julho a 3 de agosto do ano passado e fez parte do Jubileu da Esperança, que se estendeu por todo o ano, jovens de todo o mundo encheram as ruas de Roma, capital da Itália. Cada dia foi repleto de diferentes oportunidades e eventos para que jovens vivessem a riqueza da fé católica.
Em 2 de agosto, o papa Leão XIV foi recebido pela maior multidão a quem ele já falou em seu pontificado, na vigília noturna em Tor Vergata, um local ao ar livre a 16 km a leste de Roma. Estima-se que 1 milhão de pessoas estiveram presentes. O papa chegou de helicóptero e, em seguida, percorreu o local no papamóvel, acenando para os jovens que o aclamavam antes do início da cerimônia religiosa.
O Jubileu da Juventude 2025 terminou em 3 de agosto do ano passado com uma missa celebrada pelo papa Leão XIV nos 960 mil m² do complexo de Tor Vergata, onde cerca de um milhão de jovens peregrinos passaram a noite depois de uma vigília de oração e adoração eucarística.
Em sua homilia, o papa Leão XIV exortou os peregrinos a abrirem seus corações a Deus e a se aventurarem com Ele “rumo aos espaços eternos do infinito”.
O NCYC ocorreu em Indianápolis, EUA, no Lucas Oil Stadium, de 20 a 22 de novembro do ano passado. Em 21 de novembro, o papa Leão XIV fez um encontro digital histórico com adolescentes americanos.
Nessa conversa ao vivo, cinco adolescentes fizeram perguntas ao papa sobre o uso da tecnologia, como se recuperar de erros, como entregar as preocupações a nosso Senhor Jesus Cristo, como evitar distrações e como se preparar para o futuro da Igreja. Leão XIV orientou os jovens presentes com palavras aplicáveis tanto aos adolescentes quanto à Igreja universal.
Canonizações de Pier Giorgio Frassati e Carlo Acutis
Em 7 de setembro do ano passado, o papa Leão XIV canonizou Pier Giorgio Frassati e Carlo Acutis em sua primeira cerimônia de canonização diante de cerca de 70 mil pessoas na praça de São Pedro, no Vaticano.
“Hoje olhamos para são Pier Giorgio Frassati e são Carlo Acutis: um jovem do início do século XX e um adolescente dos nossos dias, ambos apaixonados por Jesus e prontos a dar tudo por Ele”, disse o papa em sua homilia.
“Queridos, os santos Pier Giorgio Frassati e Carlo Acutis são um convite dirigido a todos nós – especialmente aos jovens – a não desperdiçar a vida, mas a orientá-la para cima e a fazer dela uma obra-prima”, disse.
Publicação de sua primeira carta apostólica
O papa Leão XIV publicou sua primeira carta apostólica, Dilexi te, em 9 de outubro do ano passado. O documento fala sobre a ideia de que os pobres não são meramente objetos de caridade, mas também evangelizadores que podem levar as pessoas à conversão por meio de seu exemplo de fraqueza e confiança em Deus.
“Os pobres podem ser para nós como mestres silenciosos, reconduzindo o nosso orgulho e a nossa arrogância a uma conveniente humildade”, escreve Leão XIV em Dilexi te (Eu te amei).
“O idoso, por exemplo, com a fragilidade do seu corpo, lembra-nos a nossa vulnerabilidade, ainda que a tentemos esconder por trás do bem-estar ou das aparências”, escreveu o papa. “Além disso, os pobres fazem-nos refletir sobre a inconsistência daquele orgulho agressivo com que muitas vezes enfrentamos as dificuldades da vida”.
Leão XIV cita seu antecessor ao longo do documento, que foi redigido inicialmente no pontificado do papa Francisco e se baseia fortemente na primeira exortação apostólica do papa argentino, Evangelii gaudium, sobre a alegria do Evangelho, publicada em 2013.
Primeira grande viagem internacional de Leão XIV: Turquia e Líbano
O papa Leão XIV fez sua primeira viagem papal internacional à Turquia e ao Líbano, de 27 de novembro a 2 de dezembro do ano passado. A abrangente visita internacional teve encontros ecumênicos históricos, gestos de oração simbólicos e visitas pastorais a comunidades cristãs sob pressão. O papa Leão XIV falou sobre a importância da unidade, da paz e da fraternidade, e levou encorajamento a uma região marcada pela fé ancestral e pelo sofrimento presente.
Um dos momentos mais marcantes da estadia de Leão XIV na Turquia foi a comemoração do 1700º aniversário do Concílio de Niceia, ao lado do patriarca ortodoxo ecumênico Bartolomeu I de Constantinopla, na cidade turca de Iznik, lugar do Concílio de Niceia, historicamente conhecido como o berço do Credo Niceno.
No Líbano, o papa Leão XIV se tornou o primeiro papa da história a visitar o túmulo de são Charbel Makhlouf ao chegar ao mosteiro de São Maron em Annaya.
Um consistório extraordinário
Em seu discurso de abertura no consistório extraordinário — que ocorreu de 7 a 8 de janeiro — o papa Leão XIV disse aos cardeais de todo o mundo reunidos no Vaticano: "Estou aqui para escutar".
Esse consistório extraordinário — diferente dos ordinários, que são mais limitados e frequentes — foi agendado para ocorrer imediatamente depois do Jubileu da Esperança, a fim de “oferecer apoio e aconselhamento ao Santo Padre no exercício de sua elevada e árdua responsabilidade de governar a Igreja”, segundo um comunicado da Santa Sé.
O consistório foi uma reunião a portas fechadas, sem a presença de qualquer meio de comunicação, e os cardeais foram instruídos a manter a confidencialidade dos trabalhos. Mas, esperava-se que os cardeais apresentassem ao novo papa suas opiniões sobre dois temas específicos: o sínodo e a sinodalidade, e a missão de evangelização e o caráter missionário da Igreja.
Primeira Semana Santa e celebrações da Páscoa como papa
Na Semana Santa e na Páscoa deste ano, o papa Leão XIV celebrou as liturgias mais solenes da Igreja em Roma, começando com o Domingo de Ramos e continuando com a Missa Crismal e a Missa da Ceia do Senhor na Quinta-feira Santa, a celebração da Paixão e a Via Sacra no Coliseu na Sexta-feira Santa, a Vigília Pascal na basílica de São Pedro no sábado e, por fim, a Missa do Domingo de Páscoa com a bênção Urbi et Orbi na praça de São Pedro, no Vaticano.
Essa foi a primeira vez em vários anos que um papa participou de todas as liturgias da Semana Santa e da Páscoa. Devido à saúde debilitada do papa Francisco no fim de seu papado, ele teve que reduzir sua participação em muitos desses eventos.
O papa Leão XIV foi também o primeiro papa desde são João Paulo II, em 1994, a carregar a cruz de madeira por todas as 14 estações da Via Sacra no Coliseu, em Roma, na Sexta-feira Santa.
Viagem histórica de 11 dias à África
O papa Leão XIV passou 11 dias na África — de 13 a 23 de abril — e visitou quatro países: Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Nessa viagem, ele percorreu cerca de 17,7 mil km em 18 voos diferentes. Com paradas em 11 cidades nesses países, o papa se encontrou com jovens, líderes políticos, prisioneiros, famílias e muitos outros para divulgar a mensagem do Evangelho.
Ao longo de sua jornada, ele falou sobre temas como paz, reconciliação e justiça econômica, reunindo-se com líderes locais, clérigos e fiéis leigos. Grandes multidões se reuniram para missas ao ar livre, mostrando a vitalidade e o rápido crescimento do catolicismo em muitas comunidades africanas.
Um dos pontos altos da viagem foi a visita do papa Leão XIV a Annaba — antiga Hipona —, que para o papa agostiniano foi um retorno às raízes de sua fé e vocação. Apesar da chuva torrencial, o papa caminhou pelas ruínas e, ao fim do percurso, depositou uma coroa de flores e parou por um momento para rezar, visivelmente emocionado.
O papa também visitou o presídio de Bata, na Guiné Equatorial, e disse aos detentos que “ninguém está excluído do amor de Deus”, exortando-os a perceber que, mesmo atrás das grades, ainda existe a possibilidade de mudança, reconciliação e esperança. Essa prisão é uma das mais severas do país, conhecida por suas difíceis condições.
Mensagens sobre guerra e paz
O papa fez da paz um tema central de seu pontificado desde o início, abrindo suas primeiras palavras públicas com "A paz esteja convosco". Essa simples saudação estabeleceu o tom para uma visão mais ampla — uma visão enraizada no Evangelho, mas dirigida diretamente a um mundo marcado por conflitos e divisões.
Em homilias e discursos internacionais, ele sempre definiu a paz não como a ausência de guerra, mas como um compromisso ativo e diário, fundamentado na justiça, na reconciliação e no respeito à dignidade humana.
Leão XIV exortou os líderes mundiais a rejeitar ciclos de violência e, em vez disso, promoverem o que ele chamou de “cultura de paz”. Falando no contexto das tensões globais em curso, ele alertou contra a normalização da guerra como instrumento político, dizendo que soluções duradouras só podem surgir através do diálogo e da compreensão mútua.
O papa também abordou os perigos da guerra moderna, como a ameaça de uma escalada nuclear. Ele instou a esforços internacionais renovados em prol do desarmamento e da redução da escalada, dizendo que o poder destrutivo das armas nucleares exige uma resposta tanto moral quanto política.
Reafirmando a doutrina de longa data da Igreja, o papa Leão XIV encorajou os países a buscarem a diplomacia em vez da agressão, apresentando o diálogo não como fraqueza, mas como o caminho mais forte e duradouro para a paz.


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