Campeonato indesejável

 


        José Renato Nalini

            O relatório elaborado pela rede do World Inequality Lab, situada na Paris School of Economics, aponta o Brasil como o 5º país mais desigual do mundo. Os estudos foram elaborados pelo economista Thomas Piketty e sua equipe. O Brasil só perde para África do Sul, Colômbia, México e Chile.

            Apurou-se que os 10% dos brasileiros mais ricos capturam 60% da renda nacional. A metade mais pobre fica com 9,3%. Na relação dos países com maior concentração de renda, o Brasil está em sexto. Os 10% mais ricos detêm 70% do total e o 1% do topo tem um terço da riqueza brasileira.

            Quanto à riqueza do mundo, o 0,001%, que representa cerca de 56 mil pessoas no globo, detém três vezes mais patrimônio do que o de topo da a metade mais pobre adulta do planeta: cerca de 2,8 bilhões de pessoas.

            Os 10% mais ricos têm o domínio sobre 75% da riqueza global e a metade mais pobre fica com 2%. Desde a década de 1990, a riqueza dos bilionários e centimilionários – patrimônio líquido superior a 100 milhões de dólares – cresceu a uma taxa de 8%. O dobro do ritmo experimentado pela metade mais pobre da população.

            Ricos cada vez mais ricos, pobres cada vez mais pobres. Bilhões de seres humanos estão excluídos da mínima estabilidade econômica. Em todas as regiões do planeta, o 1% mais rico é proprietário, sozinho, de mais riqueza do que os 90% mais pobres juntos!

            Por isso é que o município de São Paulo, por inspiração do Prefeito Ricardo Nunes, atende aos mais carentes em todas as áreas: alimentação, saúde, educação, trabalho, mobilidade. Na maior cidade do país, a luta contra a desigualdade é permanente e constitui política de Estado. Ninguém, de boa vontade, quer ganhar esse indesejável campeonato.

 

*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.    

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