Pe. José Antonio Soares
Assessor Eclesiástico da Pastoral da
Comunicação Diocesana
e Vigário na Paróquia São Francisco Xavier
de Pereira Barreto
Celebramos
recentemente, no Domingo da Ascensão do Senhor, o 60º Dia Mundial das
Comunicações Sociais. Todos os anos, essa data convida a Igreja e a sociedade a
refletirem sobre o papel da comunicação na vida humana, na convivência social e
na missão evangelizadora. Neste ano, o Papa Leão XIV propôs um tema
profundamente atual: “Preservar vozes e rostos humanos”.
Vivemos um tempo
de rápidas transformações tecnológicas. A inteligência artificial, os
algoritmos e as plataformas digitais mudaram profundamente a maneira como nos
comunicamos e nos relacionamos. Nunca estivemos tão conectados. Ao mesmo tempo,
cresce o risco de uma comunicação superficial, marcada pela pressa, pela
desinformação e pela perda da autenticidade nas relações humanas.
Na sua mensagem, o
Papa recorda que o rosto e a voz são muito mais do que características
externas. Eles expressam a identidade, a história e a dignidade de cada pessoa.
São sinais concretos de presença, proximidade e encontro. Preservar rostos e
vozes humanas significa preservar aquilo que existe de mais verdadeiro em nossa
convivência.
O Santo Padre não
condena a tecnologia. Pelo contrário, reconhece seus benefícios e
possibilidades. Contudo, alerta para os perigos de uma comunicação
desumanizada, guiada apenas pela busca de atenção, pelas bolhas digitais e
pelas relações artificiais criadas no ambiente virtual. Em um dos trechos mais
fortes da mensagem, afirma: “É necessário que o rosto e a voz voltem a dizer
a pessoa.” A frase resume um dos grandes desafios do nosso tempo: utilizar
os meios digitais sem perder a capacidade de escutar, dialogar e encontrar
verdadeiramente o outro.
Essa mesma preocupação aparece na primeira
encíclica do Papa Leão XIV, Magnifica Humanitas (“Magnífica
Humanidade”), dedicada à salvaguarda da pessoa humana na era da
inteligência artificial. Publicada em 25 de maio, a encíclica foi assinada no
contexto dos 135 anos da histórica Rerum Novarum (“Das Coisas Novas”),
escrita pelo Papa Leão XIII em 1891. Se, no fim do século XIX, a Igreja
levantou sua voz diante das feridas causadas pela Revolução Industrial e da
exploração dos trabalhadores, hoje volta seu olhar para os desafios éticos da
revolução tecnológica e digital. Em tempos marcados pela inteligência
artificial, pelos algoritmos e pela automação, o Papa recorda que o verdadeiro
progresso só existe quando a tecnologia permanece a serviço da pessoa humana,
da dignidade, das relações e da fraternidade.
As reflexões do Papa Leão XIV inspiram
tanto a sociedade quanto a Igreja a redescobrirem o valor de uma comunicação
verdadeiramente humana. Em meio aos avanços tecnológicos, somos chamados a
utilizar os meios digitais com responsabilidade, ética e sensibilidade,
colocando sempre a dignidade da pessoa no centro. Para a sociedade, isso significa
fortalecer uma cultura de responsabilidade, cooperação e educação diante das
novas tecnologias, promovendo relações mais conscientes, éticas e
verdadeiramente humanas; para a PASCOM, significa ir além da simples produção
de conteúdos ou da presença nas redes sociais, renovando a missão de
evangelizar com proximidade, verdade e espírito de comunhão.
Pereira Barreto, 27 de maio de 2026.

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