A glória de ter mãe

 

            *José Renato Nalini

            A cada vez que tenho de me solidarizar com quem perdeu a mãe, eu me repito, qual mantra: “Quem tem mãe, tem tudo; quem não tem mãe, não tem nada!”. E acredito, como alguém que descobriu que orfandade não tem idade, que ter mãe viva é uma glória indescritível.

            Mãe é a única mulher que ama o filho incondicionalmente. Uma amiga querida, que já se foi, dizia ser capaz de “ir até o inferno para socorrer um filho!”. Por isso existem numerosos textos devotados à maternidade, esse fenômeno divino. É a participação das criaturas na continuação do mister do Criador. A coparticipação na obra generosa de trazer à luz, para esta peregrinação terrena, almas que vivenciarão a ventura de atuar no encanto do convívio entre seres racionais.

            Os bem-aventurados que têm mãe, devem cercá-la de carinho não apenas no segundo domingo de maio, mas todos os instantes, todos os minutos, todas as horas, dias, semanas, meses e anos, enquanto ela viver.

            Nós outros, que só podemos cultivar a saudade, procuremos honrar a memória daquela que nos trouxe à experiência existencial. Nessa tarefa agridoce – pois existe a ternura da memória e a tristeza da ausência física – os católicos têm uma vantagem considerável: podem invocar outra mãezinha, Aquela que também foi mãe do Salvador e que atende a seus filhos sob inúmeras invocações.

            A Mariologia, o culto a Nossa Senhora, nos ensina a levar a sério a hiperdulia. Esse o nome da veneração que a mãe de Jesus merece, em estágio superior à dulia – culto aos santos – e inferior à latria, que é devida exclusivamente a Deus Nosso Senhor.

            Nada como ter duas mães: a biológica e a Mulher que serviu aos insondáveis desígnios divinos, gestando por nove meses o Filho de Deus, ensinando-o a caminhar, sorrindo com ele e o acompanhando na vida pública, na paixão e morte.

            Que o modelo mariano sirva de inspiração para todas as mães. E que elas tenham hoje um dia sereno, alegre, cercadas de carinho por suas crias. Feliz Dia das Mães a todas as mulheres abençoadas com o milagre da maternidade.

 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.  

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