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1: O presidente do Sindicato dos Motoristas de Jales e Região, José Roberto Duarte da Silveira abriu o encontro 2: A Carta de Jales foi aprovada por todos os participantes do encontro realizado no Galdino Eventos 3: Lideranças das quatro federações de trabalhadores ligadas ao setor sucroalcooleiro participaram do evento 4: O economista do DIEESE Fernando Lima falou sobre negociação coletiv 5: O desembargador Luiz Henrique Rafael falou sobre acordos e convenção coletiva. |
O Sindicato dos Motoristas de Jales e Região foi sede, nesta sexta-feira, do 1º Encontro Unificado dos Trabalhadores das Categorias do Setor Sucroalcooleiro do Estado de São Paulo que reuniu lideranças sindicais de todo o Estado, nas dependências do Galdino Eventos, tendo como principal objetivo fortalecer a união entre as federações, sindicatos e confederações para as negociações coletivas de trabalho de 2026.
O evento foi organizado pela FTTRESP (Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado de São Paulo), FETIASP (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Estado de São Paulo), FEQUIMFAR (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas do Estado de São Paulo) e FERAESP (Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo).
Os presidentes e diretores das quatro federações puderam discutir as questões ligadas a esse importante segmento, nesse primeiro encontro do gênero que marca, de forma inédita, um novo modo de articulação dos trabalhadores, como destacou o presidente do sindicato de Jales e secretário geral da FTTRESP, José Roberto Duarte da Silveira. Participaram como palestrantes Fernando Lima, economista do DIEESE que falou sobre negociação coletiva e Luiz Henrique Rafael, desembargador do Tribunal Regional do Trabalho – 15ª Região, que falou sobre acordos e convenção coletiva.
A importância da união das quatro categorias de trabalhadores que atuam nas usinas também foi destacada por todos os presentes. O presidente da FEQUIMFAR, Sérgio Luiz Leite lembrou que a expansão do setor sucroalcooleiro exige a participação dessas entidades para discutir não apenas salários, mas outras melhorias para esse segmento.
Carta de Jales
No final do evento foi lida a “Carta de Jales”, contendo os principais pontos que deverão compor as pautas de reivindicações dessas categorias durante as negociações coletivas. Os itens incluídos referem-se ao aumento real do salário, redução da jornada de trabalho, organização da negociação coletiva, cumprimento das normas de saúde e segurança, combate à precarização do trabalho, aprimoramento dos planos de saúde e odontológico e união para o fortalecimento da campanha salarial.
A “Carta de Jales” deverá ser divulgada para as federações e confederações de todo o país, como modelo para novas negociações trabalhistas como destacou o presidente da FTTRESP, Valdir Pestana, sendo que o deputado federal Gilmar Tato (PT), também presente, ficou de entregá-la ao presidente Lula.
A íntegra da Carta de Jales é a seguinte:
Carta aberta aos trabalhadores e trabalhadoras do setor sucroalcooleiro do Estado de São Paulo
Jales (SP), 10 de abril de 2026.
Nós, trabalhadores e trabalhadoras das atividades agrícolas, industriais e de transportes do setor sucroalcooleiro do Estado de São Paulo, reunidos no 1º Encontro Unificado das categorias, realizado em Jales/SP, tornamos pública a presente Carta como expressão de unidade, mobilização e defesa de nossos direitos.
O setor sucroenergético ocupa posição estratégica na economia brasileira, articulando segurança alimentar, transição energética, bioeconomia e soberania produtiva nacional. Trata-se de uma atividade central não apenas para o abastecimento interno e para a inserção internacional do país, mas também para a construção de um modelo de desenvolvimento sustentável baseado em fontes renováveis de energia.
Esse processo, marcado pela expansão da bioenergia e pela busca por soluções de descarbonização, exige inovação, investimentos e políticas permanentes de qualificação profissional, diante das profundas transformações tecnológicas em curso no setor.
Reafirmamos, contudo, que não há desenvolvimento sustentável sem valorização do trabalho. A transição energética deve estar comprometida com a preservação e a valorização dos empregos, o fortalecimento das cadeias produtivas e a garantia de condições dignas de trabalho em toda a cadeia sucroenergética.
As oscilações de mercado, as mudanças no padrão produtivo e a crescente concentração econômica no setor não podem servir de justificativa para a retirada de direitos ou a precarização das relações de trabalho.
Diante disso, apresentamos os seguintes eixos gerais de reivindicação e mobilização:
1. Valorização econômica do trabalho
Defendemos a recomposição do poder de compra e aumento real de salários, com valorização dos pisos salariais e dos benefícios, como cesta básica e vale-alimentação, bem como da participação nos lucros e resultados, de modo a assegurar uma distribuição mais justa da riqueza gerada no setor.
2. Jornada de trabalho e qualidade de vida
Reafirmamos a centralidade da luta pela redução da jornada de trabalho, sem redução salarial, como medida essencial para a melhoria da qualidade de vida, da saúde e da produtividade dos trabalhadores.
3. Organização da negociação coletiva
Defendemos o fortalecimento da negociação coletiva em âmbito mais amplo, com a construção de mecanismos de articulação entre federações e sindicatos, inclusive por meio da constituição de espaços permanentes de coordenação das campanhas salariais.
4. Saúde e segurança no trabalho
Reivindicamos o cumprimento rigoroso das normas de saúde e segurança, com destaque para a aplicação efetiva das diretrizes previstas na NR-1 e NR 31, garantindo ambientes de trabalho seguros, prevenção de acidentes e promoção da saúde física e mental dos trabalhadores.
5. Combate à precarização do trabalho
Reafirmamos nossa posição contrária às práticas de terceirização abusiva, pejotização, informalidade, contrato intermitente e outras formas de precarização que fragilizam direitos e reduzem a proteção social do trabalho, especialmente em um contexto marcado por elevada rotatividade e instabilidade nas relações de trabalho.
6. Assistência à saúde
Defendemos a implementação, manutenção e o aprimoramento dos planos de saúde e odontológicos negociados coletivamente, com transparência na gestão, qualidade na prestação dos serviços e participação das representações dos trabalhadores.
7. Unidade e mobilização
Reafirmamos a importância de uma ação unificada das entidades sindicais do setor, como condição para o fortalecimento da campanha salarial e para a conquista de avanços concretos nas negociações.
O futuro do setor sucroenergético passa necessariamente pela valorização do trabalho. A transição energética e o desenvolvimento econômico só terão sentido se forem acompanhados de justiça social, geração de empregos de qualidade e fortalecimento da negociação coletiva.
Chamamos todos os trabalhadores e trabalhadoras à mobilização e ao fortalecimento de suas entidades sindicais.
A força da cana-de-açúcar é a força de quem trabalha!

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