Sociedade de Medicina e Cirurgia e Complexo Funfarme/Famerp e promovem Simpósio sobre Doença de Parkinson com foco em inovações e acolhimento a pacientes e familiares
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| foto/divulgação |
Com o objetivo de conscientizar a população no mês dedicado ao Parkinson, o Hospital de Base (HB), a Famerp e a Sociedade de Medicina e Cirurgia (SMC) promovem no sábado, dia 25, das 8h às 12h, um simpósio especial gratuito e aberto à população, voltado para a orientação de pacientes e seus familiares. O evento reunirá uma equipe multidisciplinar composta por neurologistas, neurocirurgiões funcionais, fisiatras, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, neuropsicólogos e educadores físicos. O foco principal é promover uma ação de extensão à comunidade para discutir os cuidados básicos de vida, desmistificar o tratamento e apresentar as perspectivas futuras, programação guiada por imagem e inteligência artificial.
Dr. Carlos Rocha, neurocirurgião funcional do HB ressalta a importância do evento para a população. "Nosso principal objetivo com o simpósio é falar diretamente com a comunidade, levando orientação a pacientes e familiares de forma acessível, saindo do formato tradicional de médico para médico. Vamos discutir os cuidados básicos de vida e apresentar inovações tecnológicas, como o novo marcapasso cerebral adaptativo, previsto para o segundo semestre, que capta as ondas cerebrais e se autoajusta, garantindo um tratamento mais preciso e com menos efeitos colaterais. Além disso, falaremos sobre programação guiada por imagem e inteligência artificial”, afirma.
Paciente do HB, Maria Izipato foi diagnosticada com a doença e conta como foi o processo do diagnóstico até obter melhoras com o tratamento. "Os primeiros sintomas surgiram aos 33 anos, com a perda de movimentos simples, como escrever ou escovar os dentes. Por eu ser jovem, foi preciso um mapeamento cuidadoso no Hospital de Base até a confirmação do Parkinson, aos 36 anos. O tratamento médico e as avaliações foram cruciais para que eu não ficasse presa dentro de casa e pudesse dar seguimento à minha vida. Hoje, aos 43 anos e no processo de retomada do meu acompanhamento pelo SUS, mantenho minha autonomia, faço academia e dedico meu tempo a um trabalho de acolhimento para dar suporte e direcionamento a outros pacientes da nossa região. Do Parkinson, fiz do limão uma limonada e não deixo que a doença seja mais forte do que eu."
Entendendo a doença
A Doença de Parkinson é a segunda enfermidade neurodegenerativa mais prevalente no mundo, ficando atrás apenas do Alzheimer. Trata-se de uma condição crônica, progressiva e incapacitante que afeta cerca de 1 a cada 100 pessoas com mais de 60 anos, embora 20% dos pacientes iniciem o quadro antes dessa faixa etária. Os principais sintomas motores incluem o tremor de repouso, rigidez muscular e lentidão dos movimentos. Segundo o Dr. Carlos Rocha, neurologista do HB, o número de casos globais pode dobrar até 2040 devido ao envelhecimento populacional e a fatores genéticos e ambientais, como a exposição a agrotóxicos e o estilo de vida contemporâneo.
Atendimento integral no complexo Funfarme
Os pacientes encontram suporte completo pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no complexo da Funfarme. O ambulatório coordenado pelo Dr. Fábio Nazaré realiza todo o manejo clínico, apoiado por uma infraestrutura de reabilitação no Instituto Lucy Montoro, que oferece fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia. Inicialmente, o tratamento baseia-se em medicamentos, após esse período, é comum surgirem complicações motoras, como flutuações e movimentos involuntários, exigindo novas abordagens.
Novas tecnologias e cirurgia
Para casos selecionados que não respondem mais de forma ideal aos medicamentos, existe a opção do tratamento cirúrgico. O Hospital de Base já realiza há 16 anos o implante do "marca-passo cerebral" ou Estimulação Cerebral Profunda (DBS), que modula os movimentos e controla os tremores e discinesias. Uma grande inovação tecnológica que poderá ser ofertada pelo HB é a DBS adaptativo, um sistema inteligente capaz de captar as ondas cerebrais do paciente e autoajustar os estímulos, garantindo maior precisão e menos efeitos colaterais.
Avanços na medicina e pesquisa
O simpósio também trará luz à esperança no campo científico. A Famerp foi incluída em um rigoroso estudo experimental de um novo medicamento com potencial para modificar a evolução da doença. A substância atua diretamente sobre o acúmulo da proteína alfa-sinucleína no cérebro, impedindo sua transmissão entre neurônios. Com seis pacientes já pré-selecionados na instituição, os ensaios devem começar em breve para o estudo deste anticorpo monoclonal.
Estilo de vida como tratamento
Apesar de todo o avanço tecnológico e medicamentoso, a abordagem não farmacológica segue sendo um dos pilares do simpósio. Ter um sono regular, reduzir o consumo de álcool e tabaco, manter uma boa alimentação e praticar atividades físicas (como musculação, dança, tênis de mesa ou natação) são essenciais. Embora essas atitudes não impeçam a doença de progredir, elas deixam o corpo e o cérebro muito mais aptos para lidar com os desafios do Parkinson, garantindo melhor funcionalidade e qualidade de vida.

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