Queijos caprinos e Manta de Carneiro são destaques da agricultura familiar na Feira Brasil na Mesa

 



 

Queijos da Agubel são produzidos a partir de tecnologias desenvolvidas pela Embrapa. Foto: Divulgação Agubel

Produtos desenvolvidos pelas atividades da caprinocultura e ovinocultura estarão disponíveis para o público durante a feira Brasil na Mesa, que acontece de 23 a 25 de abril na Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF). Entre eles, queijos de leite de cabra produzidos pelo laticínio da Associação Gestora da Usina de Beneficiamento de Lácteos (Agubel) em Sumé (PB) e a manta de carneiro da região dos Inhamuns (CE). Os dois produtos são obtidos, respectivamente, a partir de leite caprino e carne ovina com origem na agricultura familiar.


A parceria com a Embrapa Caprinos e Ovinos fez com que a Agubel diversificasse seu portfólio de produtos derivados do leite caprino, que passou a contemplar diferentes tipos de queijos (maturado, coalho padrão, coalho adicionado de alecrim, canela, orégano e pimenta calabresa), a partir de tecnologias adaptadas pela Embrapa para boas práticas de ordenha e de fabricação, visando a padronização e qualidade dos queijos. As capacitações de produtores rurais e equipes de laticínios aconteceram por meio de projetos como o “Laticínio de caprinos: produção e acesso a mercado”, financiado pela Fundação Banco do Brasil.


Os produtos obtiveram, nos últimos, anos, reconhecimento em premiações nacionais e internacionais, com destaque para uma medalha de ouro no 3º Mundial do Queijo do Brasil em 2024 e cinco medalhas (quatro de prata e uma de bronze) obtidas no VII Prêmio Queijo Brasil, em 2025. Desde 2006, os queijos produzidos no laticínio têm selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) do Ministério da Agricultura e Pecuária, o que possibilita a comercialização dos produtos para o mercado nacional, fortalecendo a caprinocultura na região do Cariri Paraibano.


Segundo a pesquisadora Nívea Felisberto, da Embrapa Caprinos e Ovinos, este reconhecimento dos prêmios é resultado de anos de trabalho em uma rede que envolve, além da Embrapa e da Agubel, produtores locais, universidades, instituições de assistência técnica. E partiu da motivação dos criadores locais em obter produtos de melhor qualidade e alcançar mercados novos. “Com o passar do tempo, a organização dos agricultores entendeu que seria necessário incorporar a elaboração de derivados do leite para uma estratégia de agregação de valor e de alcance de outros consumidores. Esta foi uma das frentes que a Embrapa contribuiu, levando seus processos tecnológicos para a agroindústria e tendo aprimoramento de produtos, inclusive com um caráter mais regional”, destaca ela.


Atualmente, o laticínio da Agubel trabalha em parceria com diversas associações de produtores e criadores de cabras do Cariri paraibano, beneficiando aproximadamente 150 famílias de agricultores familiares na região. A diversificação dos produtos faz com que hoje a Agubel disponibilize seus lácteos no mercado de cidades como Brasília, Recife, João Pessoa e Campina Grande.


Já a manta de carneiro é um produto tradicional na região do Sertão dos Inhamuns (CE), obtido a partir de processo de desossa do animal e, posteriormente, com salga e secagem da carne ao sol, sombra ou em câmaras frias. A carne da manta, obtida a partir de ovinos deslanados, apresenta qualidade nutricionais como menos gordura entre os músculos, menor taxa de colesterol e menor quantidade de calorias em relação a outras carnes, como a bovina.


Em 2024, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará (IFCE) e a Embrapa Caprinos e Ovinos submeteram projeto de Indicação Geográfica da Manta junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O pedido de registro foi solicitado pela Associação dos Criadores de Ovinos e Caprinos da Região dos Inhamuns (Ascoci), sediada em Tauá (CE). A produção da Manta de Carneiro envolve aspectos culturais e socioeconômicos, pois sua produção integra a tradição de várias gerações de famílias na região dos Inhamuns e movimenta a atividade econômica local.


Para a pesquisadora Lisiane Lima, da Embrapa Caprinos e Ovinos, a Indicação Geográfica seria um reconhecimento da Manta como produto artesanal com características únicas e feito a partir de saberes locais no território. “Com uma IG, os produtores podem obter preços mais elevados para o produto, ampliar o mercado e se organizar coletivamente. Isso vai favorecer o desenvolvimento não só do produto, mas do território, com o turismo, com a gastronomia”, avalia ela. 


Lisiane ressalta também que um dos aspectos que caracterizam a Manta de Carneiro da região é a diversidade de espécies vegetais nativas dos Inhamuns que são consumidas pelos animais, o que contribui para um sabor diferenciado da carne. Além dos queijos e da Manta, serão disponibilizados para degustação doces de leite de cabra, produzidos a partir de tecnologia de produção da Embrapa, em parceria com o IFCE.


Produção de caprinos e ovinos no Brasil


De acordo com a mais recente edição da Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE (2024), o efetivo brasileiro de ovinos é de cerca de 21,9 milhões de animais. Já o de caprinos está em torno de 13,3 milhões de cabeças. Os territórios do Cariri Paraibano e do Sertão dos Inhamuns, de onde são originados os produtos levados à Feira Brasil na Mesa, são polos produtivos de destaque.


A região que compreende Cariri Paraibano, Sertão do Moxotó (PE) e Agreste Pernambucano consiste na maior bacia de leite de cabra do país, onde a produção anual, de 7,4 milhões de litros, corresponde a cerca de 40% da produção nacional. Já o Sertão dos Inhamuns (CE) concentra o maior polo de produção de ovinos do Ceará, com efetivo de 456.891 animais, segundo o IBGE, com destaque para a agricultura familiar. 

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