: Profa.
Ma. Lieny Munhoz Martins, coordenadora de Psicologia do UNIJALES
O dia 2 de abril é marcado mundialmente como o dia da Conscientização do Autismo, com isso, ao longo do mês de Abril, vários países realizam campanhas de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, o comportamento e causa prejuízos sociais. Mais do que distribuir quebra-cabeças, iluminar prédios de azul, e fazer caminhadas em prol ao TEA, a data convida a sociedade a refletir sobre algo fundamental: o acesso a um diagnóstico adequado e a um tratamento realmente qualificado.
O autismo não é uma condição única e homogênea, isso significa que ele não se apresenta da mesma forma em todas as pessoas, pois possui diferentes níveis e características, exigindo um olhar individualizado para cada indivíduo. Por isso, não existe um único caminho terapêutico. O que existe é a necessidade de um cuidado integrado e adequado.
O tratamento do TEA é mais eficaz quando realizado por uma equipe multiprofissional, composta por: Psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, médicos, pedagogos e outros profissionais que atuam de forma conjunta, construindo um plano terapêutico individualizado. Isso permite não trabalhar apenas as dificuldades, mas também potencializar as habilidades, promover autonomia e melhorar a qualidade de vida do paciente e de sua família.
Quando o assunto então é a criança com TEA, o olhar tem que ser ainda mais cuidadoso, visto que o desenvolvimento infantil é complexo, envolve linguagem, cognição, emoções e relações sociais. Por isso, limitar o atendimento a uma única área pode comprometer avanços importantes. O cuidado precisa ser integrado e cuidadoso.
Dentro dessa equipe multidisciplinar, o psicólogo tem um papel central, já que é ele quem atua diretamente no desenvolvimento emocional, comportamental e social da criança, utilizando abordagens específicas e baseadas em evidências. Porém, um ponto de alerta precisa ser reforçado: nem todo psicólogo está preparado para atender crianças com autismo.
Assim como na medicina, onde um cardiologista não substitui um neurologista, na psicologia também existem especializações, que devem ser respeitadas, inclusive por gestores da rede pública e privada, bem como famílias de pacientes com TEA, até para que possam exigir o direito a um tratamento adequado. Atender uma criança com TEA exige formação específica, conhecimento técnico e domínio de intervenções adequadas para o espectro.
A atuação sem essa capacitação pode não apenas ser ineficaz, mas também prejudicial ao desenvolvimento dos pacientes, especialmente crianças. Os impactos negativos de um tratamento inadequado são inúmeros, entre eles: atraso no desenvolvimento da comunicação; dificuldades mais intensas de socialização; aumento de comportamentos desadaptativos; prejuízos na autonomia e na aprendizagem, dentre outros.
A intervenção precoce e qualificada é determinante para melhores prognósticos, especialmente nos primeiros anos de vida, quando o cérebro apresenta maior neuroplasticidade. Ou seja: não se trata apenas de fazer terapia, mas de fazer a terapia certa.
Falar sobre autismo é também orientar famílias. É garantir que pais e responsáveis compreendam que buscar ajuda profissional é essencial, mas buscar a ajuda qualificada é ainda mais importante.
O mês de abril reforça essa responsabilidade coletiva: Ampliar o acesso à informação, combater práticas inadequadas e lutar por profissionais especializados.
Muito Mais do que um diagnóstico, cada criança com autismo carrega potencialidades que podem e precisam ser desenvolvidas com o suporte correto. Investir em um tratamento multidisciplinar e em profissionais capacitados não é um diferencial. É um direito!

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