Um projeto de extensão da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), desenvolvido em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), tem promovido ações voltadas ao acesso à água potável e à melhoria das condições de vida em comunidades indígenas no estado de São Paulo. A iniciativa contempla as Terras Indígenas Jaraguá e Tenondé Porã, com foco em gestão ambiental, territorial e no fortalecimento do bem viver.
No último dia 26 de março, representantes da Universidade estiveram em Brasília para apresentar os resultados e o andamento das atividades à Coordenadoria Geral de Promoção do Bem Viver Indígena, vinculada ao MPI. Participaram da reunião os servidores da UFSCar Djalma Ribeiro Junior, Coordenador institucional do projeto, e Márcio Rogério Silva, Coordenador executivo, além de integrantes da equipe do Ministério.
Intitulado "Resgate da dignidade humana e pertencimento: projeto piloto de gestão ambiental e territorial e bem viver", o projeto é viabilizado por meio do Termo de Execução Descentralizada (TED) nº 67/2024, firmado entre a UFSCar e o MPI, com investimento de R$ 3 milhões oriundos de emenda parlamentar do deputado Ivan Valente. A iniciativa conta com uma equipe multicampi com docentes, técnico-administrativos e estudantes dos campi São Carlos, Araras, Sorocaba e Lagoa do Sino da UFSCar, além de gestão da Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FAI) da Universidade.
A parceria considera a trajetória da UFSCar no diálogo com povos indígenas, construída desde 2008, com ações que articulam saberes acadêmicos e tradicionais. O projeto foi estruturado a partir de demandas apresentadas pelas próprias comunidades, por meio de notas técnicas elaboradas em conjunto com o Ministério.
Ações em campo
Desde o início das atividades, em dezembro de 2024, diversas ações já foram implementadas nos territórios. Entre elas, destacam-se a instalação de sistemas de bombeamento e reservatórios de água para enfrentar períodos de estiagem, a coleta de amostras para análise da qualidade da água e o mapeamento de pontos para perfuração de poços artesianos.
Também foram realizadas melhorias em infraestrutura comunitária, como adequação de banheiros, limpeza de fossas e apoio a mutirões em casas de reza tradicionais. O projeto inclui ainda iniciativas de recuperação ambiental, com inventário florestal e plantio de cerca de 2.500 mudas de espécies nativas e frutíferas, incluindo erva-mate, de relevância cultural para o povo Guarani.
Outro eixo de atuação envolve o estímulo ao ingresso de jovens indígenas no ensino superior público, reforçando o compromisso da Universidade com a inclusão e a formação acadêmica.
Próximas etapas
Atualmente, o projeto avança para sua fase central, com o início da perfuração de poços artesianos, considerada estratégica para garantir o acesso contínuo à água potável nas comunidades atendidas. A iniciativa reafirma o papel da extensão universitária como instrumento de transformação social, promovendo soluções construídas em diálogo com os territórios e respeitando os saberes e modos de vida dos povos indígenas.
Comentários
Postar um comentário