Pesquisa do IAC mostra que a produção e o porte da lima-ácida ‘Tahiti’ são diretamente influenciados pelo porta-enxerto


Este será um dos temas de palestra no 26º Dia do Limão Tahiti e 7ª Expolimão
 



 

A lima ácida ‘Tahiti’ — uma das frutas mais produzidas no Brasil — apresenta sazonalidade definida, com maior oferta no primeiro semestre e menor produção, porém com preços mais elevados no período de julho a novembro. Nesse contexto, o manejo e, principalmente, a escolha do porta-enxerto são fatores determinantes para o sucesso da cultura, influenciando produtividade, vigor, qualidade dos frutos, resistência a doenças e tolerância ao déficit hídrico. Cerca de 90% dos pomares nacionais de Tahiti são plantados com materiais do Instituto Agronômico (IAC-APTA) e para seguir contribuindo com o setor, o IAC realiza estudos de avaliação de porta-enxertos, especialmente em condições de estresse hídrico. O objetivo é identificar combinações mais eficientes entre copas e porta-enxertos.
 

Esse assunto será tema da palestra da pesquisadora do Instituto Mariângela Cristofani Yaly durante o 26º Dia do Limão Tahiti e a 7ª Expolimão, dia 09 de abril, em Bebedouro, interior paulista. Os eventos são direcionados a produtores e empresários do setor e a programação está no link Link. A realização é uma parceria do IAC com a APTA REGIONAL de Pindorama e a Fundação Coopercitrus Credicitrus.
 

Os resultados desses experimentos conduzidos pelo Centro de Citricultura “Sylvio Moreira” do IAC em colaboração com parceiros estão demonstrando que a escolha do porta-enxerto deve ser realizada em conjunto com o clone de lima-ácida ‘Tahiti’, especialmente em sistemas irrigados. A maior produção observada em alguns porta-enxertos de menor porte sugere precocidade produtiva, característica desejável quando ocorre suplementação hídrica.

 

De forma prática, verifica-se que o porta-enxerto influencia diretamente o porte e a produção da lima-ácida ‘Tahiti’. A presença de interação significativa indica que recomendações baseadas apenas no desempenho médio dos porta-enxertos podem levar a interpretações equivocadas. Por isso, é fundamental considerar o comportamento específico de cada combinação.

 

“Porta-enxertos vigorosos proporcionam maior crescimento vegetativo, mas não necessariamente maior produção inicial. Por sua vez, materiais de menor vigor podem ser indicados para plantios adensados e sistemas irrigados, com maior eficiência produtiva. Assim, a escolha da combinação copa/porta-enxerto deve considerar o sistema de produção adotado”, explica a pesquisadora do IAC, ligado à APTA (Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA).
 

Para avaliar novas combinações de copas e porta-enxertos em diferentes regiões paulistas, incluindo Araras, Bebedouro, Cordeirópolis, Paranapuã e Cândido Rodrigues, o IAC conta com os seguintes parceiros: Embrapa Mandioca e Fruticultura, Fundação Coopercitrus Credicitrus e os produtores de lima ácida Tahiti, Edvaldo Costa Mello e Valentim Ocimar Gavioli.

 

O limão Cravo permanece como principal porta-enxerto, possivelmente devido à ampla utilização do clone Quebra-Galho, embora o trifoliata Flying Dragon esteja consolidado e em expansão, impulsionado pela busca por plantas de menor porte sem comprometer a qualidade dos frutos”, comenta a cientista.

Os cinturões citrícolas paulista e mineiro são responsáveis por cerca de 70% da área cultivada no país, que é um dos principais produtores mundiais de limas ácidas e limões. O Estado de São Paulo concentra grande parte da produção nacional em extensa área cultivada.


 

SERVIÇO

26º Dia do Limão Tahiti e 7ª Expolimão

Local: Fundação Coopercitrus/Credicitrus Rodovia Brigadeiro Faria Lima, km 384 Sul Lote A – Bebedouro/SP

Data: 09 de abril de 2026

Horário: 7h às 17h

 

Por Carla Gomes (MTb 28156), jornalista científica e assessora de comunicação IAC

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