A primeira Páscoa de Leão XIV

 

 


Pe. Edvagner Tomaz da Cruz

Professor Doutor em Teologia, Reitor do Seminário Diocesano de Jales e Pároco da Paróquia São Luiz Gonzaga de Fernandópolis

 

Celebrada a Páscoa de 2026, firmados na confiança que o Ressuscitado vive entre nós, caminha conosco e faz refeição com seus discípulos (“Fica conosco, pois já é tarde” – Cf. Lc 24,13-31) descortina-se um caminho não apenas como Igreja, mas também como sociedade de passos a serem dados no âmbito da conversão, da pacificação entre países em conflitos, bem como na luta pela justiça e dignidade para todos.

Na Celebração da Páscoa deste ano, entre outros, sobressaem dois acontecimentos: o primeiro aniversário do falecimento do saudoso Papa Francisco, ocorrido em 21 de abril de 2025. Na segunda-feira após o Domingo da Ressurreição, logo pela manhã fomos surpreendidos pelo anúncio de sua páscoa. A ele nossa oração pelo descanso eterno; e ainda, a primeira Páscoa celebrada pelo Papa Leão XIV. Nos damos conta que no próximo dia 08 de maio celebraremos um ano do pontificado do novo papa. O apóstolo Pedro é hoje Leão XIV, queremos ouvir seus ensinamentos e sermos orientados por ele.

Na homilia de Domingo de Ramos, o Papa Leão destacou o tema do “Encontro com Cristo” e o convite a uma mudança de direção da vida. Este é um tema constante neste pontificado, e de continuidade com seus antecessores. Ao contemplarmos Jesus vemos que Ele “se apresenta como Rei da Paz, enquanto à sua volta se prepara a guerra. Ele, que permanece firme na mansidão, enquanto os outros se agitam na violência”. Cristo revela o abraço de amor do Pai, “como Rei da Paz, Jesus quer reconciliar o mundo no abraço do Pai e derrubar todos os muros que nos separam de Deus e do próximo, porque ‘Ele é a nossa paz’ (Ef 2, 14)”.

Leão XIV sublinha que a mensagem de Cristo é para a Paz, e que Deus rejeita a guerra. No 5º Domingo da Quaresma, afirmou: “Não podemos permanecer em silêncio perante o sofrimento de tantas pessoas, vítimas indefesas destes conflitos”. De igual modo em sua mensagem no Domingo de Páscoa rezou pelas vítimas das guerras e pelo fim dos conflitos.

Na Missa da Ceia do Senhor, na tarde de Quinta-feira Santa, o Papa Leão decidiu celebrá-la na Basílica do Latrão, em Roma, e realizar o gesto lava pés com 12 sacerdotes recém ordenados. Tal decisão, causou estranhamento em alguns e ainda na comparação com seu antecessor, o Papa Francisco, teceram críticas e condenações. No entanto, o sinal do serviço, do amor e da doação permanece inalterado. Lavar os pés dos sacerdotes vem de encontro com o apelo que o papa Leão tinha lançado na semana anterior, de oração pelos sacerdotes em crise, que carregam doenças e outros pesados fardos.

Tem-se observado o alarmante número de padres que atentam contra a própria vida, ainda os muitos com processo de suspensão do estado clerical, solicitando a dispensa do ministério. Tal realidade é séria, merece atenção, cuidado e oração. A Igreja necessita cuidar de quem cuida. Cuidar de seus ministros ordenados, homens que se consagraram para o cuidado e o serviço a todo o Povo de Deus, do sacerdócio comum dos fiéis. O Papa afirmou que por meio do gesto dos ministros ordenados ao serviço, manifesta-se a caridade de Deus “para com todo o Povo de Deus, a quem nós, amados irmãos, somos chamados a servir com todo o nosso ser”.

Por fim, entre outros elementos dignos de nota, o Papa Leão XIV confirma que a Igreja está sempre a caminho. Como Madalena e a outra Maria na aurora da ressurreição, puseram-se a caminho sem se deixarem intimidar pelas dificuldades. Encontrar em Cristo a esperança da vida nova e Sua mensagem de “Alegrai-vos” é selar que Deus é o Deus dos vivos, e por seu Amor quer salvar a todos.

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