A escola que queremos



            *José Renato Nalini

            Quando, em 2016, renunciei a mais cinco anos na minha adorada Magistratura, para atender à convocação do Governador Geraldo Alckmin e assumir a Secretaria da Educação do Estado, sabia que a empreitada não seria fácil. Mas nunca fugi de desafios.

            Procurei serenar os ânimos, retomar as escolas que estavam invadidas – não por alunos, mas por indivíduos que se valeram da crise para intensificar antagonismos ideológicos – e consultei os doutos.

            Pensei em solicitar a cada estudioso de educação – e há muitos no Brasil – escrevessem pequeno texto sobre “A escola que queremos”.

            Obtive muitas respostas. O resultado inclusive se converteu numa obra editada pela saudosa hoje inoperante IMESP – Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

            Mas revendo meus arquivos e tentando me desapegar de tanto acúmulo de papeis, encontro um texto que merece menção. Foi elaborado por aluno da Escola Estadual “Professora Ismênia Monteiro de Oliveira”, de Pindamonhangaba, exatamente o berço natal do hoje Vice-Presidente Geraldo Alckmin.

            O aluno não se identificou. Mas me entregou, quando da visita à escola, o texto que ora reproduzo:

            “A escola que queremos. Na escola que queremos tem sala de aula arejada, limpa e organizada. Tem professor capacitado, com vontade de aprender, para ser um educador qualificado. Não tem desigualdade, todo mundo se ajuda e aceita a novidade. Temos amor e atenção, alunos aprendendo com mais dedicação. Na escola que queremos, sala de leitura é opção, alunos aprendendo com determinação. O corpo docente trabalha como orquestra em execução, fazendo tudo com harmonia e união. Todos têm compromisso e participação. Formamos cidadãos para o futuro, sem ficar em cima do muro. Aula não se gazeia, é o segundo lar que o futuro norteia. Há cidadãos conscientes, capazes e preparados. Há alunos solidários, autônomos e competentes. Essa é a escola que queremos. Essa é a minha escola “Professora Ismênia Monteiro de Oliveira”.

            Um bom roteiro para qualquer escola, seja pública ou privada. Em busca da “escola que queremos”, ainda continuamos todos. E disso depende o futuro do Brasil. Não podemos desistir.

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo. 

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