*José Renato Nalini
Essa expressão mostra o quão
ridícula pode ser a atitude melindrosa de quem se sente atingido por um
comentário que nem sempre contemplou o seu ego. Há pessoas que se comportam
como se o mundo girasse não de acordo com a lei celeste, mas em torno de sua
onipotente presença. Para estas, qualquer alusão que não seja encomiástica, da
qual não conste o laudatório cansativo que só é música para os ouvidos do
objeto de veneração, pode machucar.
Isso acontece em todos os ambientes
e a literatura não está livre dos mal-entendidos decorrentes de alguém se
sentir lesado em sua honra, após ter ouvido algo que não seja louvação.
Conta-se que o português Bulhão
Pato, sentiu-se ferido ao reconhecer-se no personagem Alencar de Alenquer,
descrito por Eça de Queiroz em “Os Maias”. Começou a difamar o escritor, que
respondeu: “O meu personagem é um misto de qualidades e defeitos, de virtudes e
vícios, de sentimentos nobres e hábitos reprováveis. Se o Sr. Bulhão Pato se
atribui a si mesmo essas virtudes, é um imodesto; e se se atribui esses vícios,
vem fazer perante a sociedade a confissão dos seus próprios defeitos”.
Resposta suficiente para mostrar que
se não deve perder tempo com diz-que-diz-que e com insignificâncias. O melhor é
ser comedido ao comentar fragilidades humanas e exaurir o vocabulário das
virtudes, ainda que elas não se apliquem aos ouvidos ansiosos de quem espera
uma palavra de reconhecimento quanto às qualidades que, em regra e na verdade,
quem ouve não tem.
Espécie esquisita a dos humanos.
Prefere ouvir mentiras agradáveis do que refletir sobre lições que, se fossem
apreendidas, acrescentariam valores a perfis superficiais, ocos e sem rumo.
Se por acaso alguém ler este despretensioso texto e se sentir vulnerado, por favor, não me atribuam qualquer intenção que não tenha sido o de entreter incautos. Escrevo para os que se distraem verificando o que se passa na cabeça de alguém que está mais preocupado com a situação climática do planeta do que com a cabecinha de quem não tem o que fazer.
*José
Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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