Tecnologia avaliativa para diagnosticar aprendizagem de estudante é adotada pela rede estadual de ensino em SP
As avaliações serão semestrais e ajudarão no diagnóstico de defasagens; projeto inicial mostrou eficácia para programas de recomposição de aprendizagens
A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) tornou obrigatória a aplicação de uma avaliação diagnóstica adaptativa de Língua Portuguesa e Matemática a todos os estudantes do 6º ano, 9º ano e 3ª série do Ensino Médio, além de estudantes do Programa de Ensino Integral (a partir do 6º ano) e alunos elegíveis ao Programa Professor Tutor. Para o 5º ano e demais séries, a aplicação é opcional.
A iniciativa visa medir com precisão o nível de proficiência dos jovens, e identificar defasagens e necessidades de maior desenvolvimento. A aplicação da avaliação deve acontecer semestralmente, tendo a primeira sido dada em fevereiro deste ano.
“Existem diversos tipos de avaliações que compõem o processo de ensino-aprendizagem, escolhidos de acordo com a finalidade de cada momento pedagógico. As avaliações diagnósticas, em geral, servem para revelar se o estudante aprendeu ou não o que era esperado para sua idade-série. Nesse sentido, a grande inovação da avaliação adaptativa é que ela individualiza o percurso, ajustando os itens de acordo com o acerto e o erro dos estudantes. Na prática, isso permite entender não apenas se o estudante aprendeu adequadamente, mas o que ele domina e onde ele está posicionado em termos de habilidades. A partir desse diagnóstico, é possível viabilizar um programa de recomposição de aprendizagem eficaz”, destaca Mônica Weinstein, diretora pedagógica da Parceiros da Educação, organização da sociedade civil que atua no fortalecimento do sistema educacional de São Paulo.
A entidade auxiliou na construção e testagem dessa tecnologia de avaliação, desde o desenho e aplicação até leitura e uso dos resultados. A combinação de conhecimento técnico e prática de rede contribuiu para que a iniciativa ganhasse escala como política pública estadual.
Desde fevereiro, a avaliação passa a ser a principal referência para o diagnóstico inicial dos estudantes e os resultados ajudarão a classificá-los por ano de equivalência de aprendizagem e por níveis de proficiência (abaixo do básico, básico, adequado e avançado).
Digital, a avaliação calibra a dificuldade das questões ao desempenho do estudante, a partir de um algoritmo. Os itens, portanto, se ajustam conforme as respostas anteriores, de modo que o percurso de avaliação é individualizado. Como os resultados são coletados por Teoria de Resposta ao Item (TRI), é possível medir avanços na aprendizagem, criando uma série histórica comparável.
Esse tipo de avaliação já é bastante utilizado em países como Estados Unidos, Canadá, Suécia, Austrália, Singapura e Noruega, sendo considerado um importante avanço para o acompanhamento das políticas públicas ligadas à educação em São Paulo.
Saresp 2025: indicadores apontam recomposição das aprendizagens como prioridade
Embora o SARESP tenha revelado crescimento sólido no desempenho em Língua Portuguesa (LP) e Matemática (MAT) para os 5º e 9º anos do Ensino Fundamental, os dados também alertam para os níveis, ainda baixos, de aprendizagem nos Anos Finais, sobretudo em Língua Portuguesa. A análise também reforça a necessidade de sustentar o crescimento nos Anos Iniciais (2º ano), tanto em Língua Portuguesa como em Matemática.
“Nesse contexto, as avaliações diagnósticas adaptativas serão fundamentais para monitorar esse progresso, permitindo intervenções pedagógicas mais eficazes e personalizadas, a fim de enfrentar as defasagens de aprendizagem que foram agravadas pela pandemia. Os dados que as avaliações adaptativas oferecerão ajudarão na otimização do tempo das equipes, de modo que elas concentrem esforços no uso pedagógico dos resultados”, diz Mônica.
Para a diretora pedagógica da Parceiros, a transformação de evidências em políticas públicas que sobrevivam ao tempo representa, assim, um passo decisivo na garantia da qualidade e equidade de aprendizagem. “É impossível garantir igualdade no direito de aprender se temos apenas um material didático, um currículo, um grupo de questões em uma avaliação, sendo que existem estudantes com níveis de proficiência muito discrepantes em uma mesma turma. É para solucionar esse tipo de desafio que as tecnologias, usadas com intencionalidade pedagógica, podem fazer a diferença na educação”, conclui Mônica

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