Responsável por mais de 6% dos casos de cegueira irreversível no mundo, glaucoma ainda é diagnosticado tardiamente

foto/Getty Images

Na Semana Mundial do Glaucoma, especialista do CEJAM explica por que a doença costuma evoluir sem sintomas e reforça a importância do acompanhamento oftalmológico regular

São Paulo, março de 2026 - Considerado a principal causa de cegueira irreversível no mundo, o glaucoma ainda é frequentemente diagnosticado em estágios avançados, quando a perda visual já é significativa. A doença evolui de forma silenciosa e, na maioria dos casos, não apresenta sintomas nas fases iniciais, o que dificulta a percepção do problema pelo próprio paciente e reforça a importância das consultas oftalmológicas regulares. 

De acordo com o oftalmologista Dr. Luiz Caprio, do AME Carapicuíba, unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim, a ausência de sinais claros no início da doença é um dos principais fatores que explicam o diagnóstico tardio. “A perda visual periférica ocorre de forma progressiva e muitas vezes o paciente só percebe quando já há dano significativo ao nervo óptico”, explica.  

Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que entre 76 e 95 milhões de pessoas convivem atualmente com o glaucoma no mundo, número que pode chegar a cerca de 112 milhões até 2040, impulsionado principalmente pelo envelhecimento da população. A doença é considerada a principal causa de cegueira irreversível e responde por cerca de 6,6% dos casos de cegueira no planeta. No Brasil, estimativas apontam que milhões de pessoas vivem com o problema, com prevalência semelhante à média global entre adultos acima de 40 anos, em torno de 3,5%. 

Quando a doença é diagnosticada no início, o prognóstico muda de forma importante. Segundo Caprio, iniciar o tratamento precocemente permite controlar a pressão intraocular e reduzir o ritmo de progressão da doença. “O diagnóstico precoce possibilita começar o tratamento antes que haja dano substancial ao nervo óptico, preservando a função visual e a qualidade de vida do paciente.            

Em casos diagnosticados tardiamente, porém, a abordagem passa a ser mais limitada. “Quando a perda visual já está avançada, o tratamento tem como objetivo apenas evitar que o quadro continue piorando, porque não é possível recuperar o campo visual perdido”, acrescenta.  

Outro ponto que ainda gera confusão é a associação do glaucoma apenas ao aumento da pressão ocular. O médico pontua que essa simplificação pode dificultar a compreensão da doença. “O glaucoma é uma neuropatia óptica progressiva e nem sempre está associado à pressão intraocular elevada. Há muitos pacientes que desenvolvem a doença mesmo com pressão considerada normal”, afirma.       

Por isso, o diagnóstico depende de uma avaliação oftalmológica mais ampla, que inclui análise do nervo óptico e da camada de fibras nervosas da retina, testes de campo visual e exame da córnea (paquimetria). 

A recomendação é que o rastreamento da doença passe a fazer parte da rotina de cuidados com a saúde ocular a partir dos 40 anos, mesmo para pessoas sem sintomas. Idade avançada, histórico familiar, miopia moderada ou alta, diabetes e pressão intraocular elevada estão entre os fatores de risco que exigem maior vigilância. “Indivíduos com esses fatores devem realizar acompanhamento oftalmológico regular, porque o glaucoma pode evoluir silenciosamente por muitos anos”, orienta.  

Para o especialista, ampliar a conscientização sobre a doença é essencial para reduzir o impacto da cegueira evitável. “A consulta oftalmológica periódica é a principal estratégia para detectar o glaucoma nas fases iniciais, preservando a saúde ocular e independência do paciente ao longo da vida”, finaliza.                      

 

Sobre o CEJAM  

O CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.  

A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.  

O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado, em 2025, a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição.  

Neste ano, a organização lança a campanha CEJAM 2026: respeito à vida, respeito ao planeta. 365 dias cuidando do presente, transformando o futuro!  

Siga o CEJAM nas redes sociais (@cejamoficial) e acompanhe os conteúdos divulgados no site da instituição.  

Comentários