*José Renato Nalini
É importante rever alguns dogmas
sobre a colonização brasileira. Poucos os pensadores que se detiveram a
analisar a verdadeira contribuição lusa para a formação da brasilidade. Um
desses historiadores, hoje esquecido, foi Manuel Bonfim, também sociólogo, autor
de “A América Latina”. Uma obra prenhe de documentação histórica e com
explicações que não se confundem com as da maioria dos demais escribas.
Para ele, para a formação étnica e
da nação como entidade política, o esforço português em relação ao Brasil teria
sido nulo e insignificante. A atuação da metrópole circunscreveu-se,
exclusivamente, à exploração da colônia, sem dar-lhe, em paga, melhoramentos,
senão aqueles correspondentes ao proveito usufruído. Era a cautela prudente de
quem só pretendia conservar uma fonte de renda fácil. Afinal, o pau-brasil
crescera como Deus permitira. Não foi um plantio português.
Diferente a postura espanhola. Para
povoar suas colônias, a Espanha se viu privada de mais da metade de sua
população. Esta era de 35 milhões por ocasião da conquista e passou a ser 17
milhões quando da perda de seus domínios no Novo Mundo.
Com Portugal sucedeu o inverso:
possuía pouco mais de um milhão de habitantes quando descobriu as Índias e
chegou ao Brasil. Longe de se depauperar, de se enfraquecer e de se despovoar,
fortaleceu-se, e cresceu, pois em 1822, ao ocorrer nossa emancipação, o seu
recenseamento acusava mais de três milhões de almas.
Cumpre, sim, é fazer a apologia do
aborígene, do indígena, do africano. São essenciais na formação da
nacionalidade. Raça que forneceu grandes capitães que se chamaram Ararigboia e
Poti, tão temidos e respeitados por franceses e holandeses e que causavam
espanto aos próprios portugueses, seus aliados. E, recentemente redescoberta, a
figura de Zumbi dos Palmares. É a miscigenação que nos garante um lugar
especialíssimo no contexto das nações. Reflitamos sobre isso, quando resistimos
a garantir aos indígenas os seus territórios. Quem é que chegou depois, quando
eles aqui se encontravam havia séculos?
*José
Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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