Vermelhidão, coceira, ardência e descamação nem sempre significam pele sensível de verdade. Em muitos casos, são sinais de agressões diárias à barreira cutânea, provocadas por excesso de produtos, banhos quentes ou rotinas de skincare mal orientadas. Segundo a dermatologista Dra. Paula Sian, pele sensível é aquela que reage de forma mais intensa aos estímulos externos, como frio, calor, vento ou cosméticos. “Em um mesmo ambiente, duas pessoas podem ter respostas completamente diferentes. Enquanto uma apresenta ressecamento, vermelhidão e coceira, a outra não sente nada. Essa maior reatividade caracteriza a pele sensível”.
O problema é que, hoje, muitas pessoas passam a se rotular como “pele sensível” sem diagnóstico médico. “Qualquer irritação vira pele sensível. A internet está cheia de informações sem respaldo científico, e isso leva muita gente a se automedicar ou comprar produtos inadequados”, alerta.
Sensibilidade pode ser genética, mas também pode ser adquirida. De acordo com a médica, há pessoas que já nascem com pele mais seca, fina e delicada, condição que costuma ser mais intensa na infância, melhora na adolescência e tende a retornar após os 40 ou 50 anos, quando o corpo passa a produzir menos sebo. Por outro lado, existe um grande grupo que sensibiliza a própria pele ao longo da vida. Banhos longos e quentes, uso diário de buchas, sabonetes muito agressivos, álcool em gel em excesso e aplicação indiscriminada de ácidos são alguns dos principais vilões.
“A barreira cutânea é composta basicamente por gordura e se renova naturalmente a cada poucos dias. Quando a pessoa esfrega demais ou usa produtos fortes sem orientação, acaba removendo essa proteção. Se parar, a pele tende a se recuperar. Mas, se houver feridas profundas, pode ficar cicatriz”, explica Paula.
Produtos “da moda”, excesso de ácidos e fatores emocionais
A dermatologista chama atenção para o uso descontrolado de cosméticos populares nas redes sociais. Vitamina C, retinol e ácidos podem ser usados, inclusive em peles sensíveis, mas sempre de forma gradual, com concentrações adequadas e após preparo da pele com hidratação. “Não é porque um produto é ácido que necessariamente vai ressecar ou agredir. Existem ácidos hidratantes. O problema é comprar vários ativos ao mesmo tempo, usar tudo junto e sem critério. Vejo pacientes que chegam ao consultório com sete produtos diferentes e nenhuma orientação”.
Além dos hábitos físicos, fatores emocionais têm forte impacto nas crises de vermelhidão, ardência e coceira. Estresse, ansiedade, privação de sono e frustrações acumuladas podem se manifestar diretamente na pele.
“A pele é nossa barreira de proteção. Em muitas abordagens integrativas, dermatite é entendida como falta de limites. Pessoas que não conseguem dizer ‘não’ ou vivem sob pressão constante acabam somatizando isso na pele, com urticárias e dermatites recorrentes”, ressalta a especialista.
Irritação passageira ou sensibilidade crônica?
A diferença está no tempo. Quando o estímulo agressor é retirado e a pele melhora rapidamente, trata-se de um quadro agudo. Já quando o problema vai e volta por semanas, mesmo com tratamento, pode indicar uma condição crônica. “Após cerca de seis semanas sem resolução, já falamos em dermatite ou outra doença de pele. E há casos em que o problema persiste porque a pessoa não quer mudar hábitos, como continuar usando tintura que causa alergia ou um ácido que deixa o rosto em carne viva”, relata.
O básico funciona: menos é mais. Para proteger a pele sensível, Paula Sian recomenda rotinas simples:
Banhos rápidos e mornos (água quente dissolve a gordura da barreira cutânea);
Sabonete apenas nas áreas com odor (axilas e regiões íntimas);
Nada de bucha ou esfoliação frequente;
Uso diário de hidratante corporal para repor a barreira da pele;
Preferência por produtos hipoalergênicos, escolhidos com orientação médica.
“O hidratante é essencial porque ajuda a reconstruir essa barreira de gordura natural da pele. Óleo de banho, por outro lado, apenas ‘engana’: dá sensação de maciez, mas não hidrata profundamente”, explica Paula.
Antes de comprar produtos, consulte um dermatologista, pois o diagnóstico vem antes do skincare. “Não cuidamos só de estética. Cuidamos da saúde da pele. A consulta serve para identificar se é sensibilidade, dermatite, psoríase ou apenas um hábito errado, além de orientar uma rotina possível dentro da realidade e do bolso de cada pessoa”.
SOBRE PAULA SIAN
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| (foto/fernando mucci) |
Dermatologista desde 2007, Paula Sian Lopes é formada pela Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP), onde também fez residência em Clínica Médica e Dermatologia. Especializou-se em Farmacodermia e Dermatoses Imuno Ambientais na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e em Medicina Chinesa e Acupuntura na Associação Médica Brasileira de Acupuntura (AMBA).
Desde 2011, Paula atende em seu consultório próprio com o viés em Dermatologia clínica, estética e cirúrgica, tanto para adultos como para crianças. Além disso, a especialista realizou serviços voluntários no ambulatório de alergias da UNIFESP, de 2013 a 2017.
A médica também é escritora e acaba de lançar o “Um burnout para chamar de seu”, um livro que relata, pelo ponto de vista do paciente, como é conviver com o burnout.
CRM: 111963-SP RQE Nº: 38348
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